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09 janeiro 2026

Os Resistentes

 

Eu sempre gostei de um bom filme de guerra, mas confesso que o cinema dinamarquês tem um jeito de contar essas histórias que me pega de surpresa. O filme "Flame e Citron: Os Resistentes" é um desses. Não espere a pompa e a gritaria de Hollywood; aqui o negócio é mais pé no chão, mais sombrio.

A gente é jogado direto na Dinamarca ocupada pelos nazistas em 1944. A vida não era fácil, e a resistência era a única resposta para muita gente. É aí que entram os dois caras que dão nome ao filme: Flame e Citron.

🎬 Entrando no Jogo: Quem São Flame e Citron?

O título original do filme, que é bom de guardar, é Flammen & Citronen. O nome já diz tudo. O Flame (interpretado pelo Thure Lindhardt) é o atirador, o cara focado. Já o Citron (Mads Mikkelsen, sempre um gigante em cena) é o motorista, o sujeito que lida com a parte mais prática das operações.

Eles não são heróis de capa, são assassinos da resistência. A missão deles é limpar a área, eliminar os informantes dinamarqueses que estão vendendo o país para os nazistas. O diretor, Ole Christian Madsen, faz um trabalho impecável em não romantizar o que esses caras faziam. É tenso, é sujo, e a linha entre o certo e o errado é muito, muito borrada.

O filme tem um elenco de peso, com o Stine Stengade (fazendo a enigmática Ketty Selmer) e o Lars Mikkelsen (irmão do Mads, fazendo o Frode Jacobsen) também mandando bem. A atuação é um dos pontos altos, te fazendo sentir a pressão e a desconfiança que pairavam no ar.

Ficha Técnica Rápida e Onde a Tensão Acontece

O lançamento na Dinamarca foi em 28 de março de 2008. O tempo de tela é longo, cerca de 2 horas e 10 minutos, mas a narrativa é tão envolvente que você nem sente a passagem do tempo.

Eu dou valor a filmes que se preocupam com os detalhes, e as locações de filmagem em Copenhague e Berlim (principalmente nos Estúdios Babelsberg) dão um toque de autenticidade incrível. A fotografia é meio noir, cinzenta, o que só aumenta o clima de conspiração. A trilha sonora, que tem seu valor, é discreta, mas pontua bem os momentos de maior adrenalina.

Para quem se guia por notas, no IMDb ele fica ali por volta dos 7.3/10, o que eu acho justo para um drama histórico que não é feito para agradar a massa. E sim, levou alguns prêmios na Dinamarca, como alguns Robert Awards (o "Oscar" dinamarquês) em categorias técnicas, como maquiagem e figurino, o que reforça o cuidado na produção.

Curiosidades e o Dilema da Guerra

O que eu achei mais maneiro sobre "Flame e Citron" é que a história é baseada em fatos, em dois combatentes da resistência dinamarquesa chamados Bent Faurschou-Hviid (Flame) e Jørgen Haagen Schmith (Citronen). E aqui está a primeira curiosidade: o diretor Ole Christian Madsen passou cerca de oito anos pesquisando o assunto antes de levar o projeto para frente.

A segunda curiosidade, e que explica muito do tom do filme, é que ele foi, na época, o filme dinamarquês mais caro já produzido. Isso mostra a seriedade com que o tema foi tratado, e a ambição de fazer um filme que fugisse do senso comum de heróis de guerra.

A trama, para mim, atinge o ponto máximo quando as ordens começam a ficar esquisitas. Você percebe que a guerra não é só lutar contra o inimigo de fora, mas também tentar descobrir quem está te traindo por dentro. O Flame, o cara que age por impulso, e o Citron, o mais reservado, começam a questionar a validade dos alvos. É aí que o filme vira um thriller de espionagem.

O Fim da Linha (Sem Estragar a Surpresa)

O que posso te garantir é que o "Flame e Citron: Os Resistentes" te prende do início ao fim. Ele mostra que, em tempos de guerra, as pessoas se tornam peças em um tabuleiro onde até o seu comandante pode estar jogando um jogo diferente.

A vida deles era um constante risco, e o filme não se esquiva de mostrar o custo emocional e físico dessa luta. Eu saí da sessão com a cabeça cheia, pensando sobre lealdade, sacrifício e até onde alguém pode ir pela liberdade. É um filme forte, sem frescura, que vale cada minuto para quem curte uma boa história de resistência e espionagem com um toque europeu.



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