Sabe aquele filme de crime que não tenta te convencer de que a vida bandida é glamourosa? O Homem da Máfia (título original: Killing Them Softly) é exatamente isso. Assisti ao filme e a sensação é de um soco seco no estômago, sem firulas. Ele foge do padrão "Poderoso Chefão" e foca na sujeira, na burocracia do crime e no dinheiro que move tudo.
Se você está procurando uma narrativa rápida de ação, talvez se surpreenda. O ritmo aqui é cadenciado, focado em diálogos afiados e em uma visão bem cínica do sonho americano.
O que esperar de Killing Them Softly
Lançado em 2012, o filme é dirigido por Andrew Dominik, o mesmo cara que fez O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford. A história é baseada no livro Cogan’s Trade, de George V. Higgins, e se passa durante a crise financeira de 2008 nos Estados Unidos.
A trama começa com um assalto a uma mesa de pôquer protegida pela máfia. O problema é que o plano é tão tosco que acaba gerando um colapso na economia local do crime. É aí que entra Jackie Cogan, interpretado por Brad Pitt, um matador de aluguel que prefere "matá-los suavemente" (daí o título original), à distância, para evitar o lado emocional e a bagunça de uma execução próxima.
Um elenco de peso e locações cruas
O que me prendeu de verdade foi o elenco. Além do Pitt, que está impecável como um profissional pragmático, temos:
James Gandolfini: Faz um matador decadente e amargurado. É quase uma versão sombria do Tony Soprano.
Ray Liotta: Entrega aquela fragilidade nervosa que só ele sabia fazer.
Richard Jenkins: Representa o "contato" da máfia, um cara que parece mais um contador de RH do que um criminoso.
Scoot McNairy e Ben Mendelsohn: Fazem os assaltantes pés de chinelo que dão início ao caos.
O filme foi rodado em Nova Orleans, Louisiana. Mas esqueça o Carnaval ou as luzes coloridas. As locações de filmagem focam em bairros industriais, bares decadentes e ruas sob chuva constante, o que ajuda a criar aquele clima de desolação.
Trilha sonora e a nota no IMDb
A trilha sonora é um ponto alto. Ela não está lá só para preencher o silêncio, mas para reforçar a ironia das cenas. Tem de tudo: desde Johnny Cash (com "The Man Comes Around") até Velvet Underground. A música dita o tom de um país que está tentando se reerguer enquanto tudo ao redor parece desmoronar.
Sobre a recepção, o filme tem uma nota de 6.2 no IMDb. Para ser justo, muita gente deu nota baixa na época porque esperava um filme de ação frenético e recebeu um drama policial denso e político. No Festival de Cannes, no entanto, ele foi indicado à Palma de Ouro, o que mostra que a crítica viu valor na obra.
Curiosidades que fazem a diferença
Para quem gosta de ir além do que está na tela, separei alguns pontos interessantes:
Metáfora Política: O filme usa discursos reais de Barack Obama e George W. Bush ao fundo para traçar um paralelo entre o colapso da máfia e a crise econômica americana.
O Reencontro: Foi a segunda colaboração entre Brad Pitt e o diretor Andrew Dominik. Eles têm uma química técnica muito boa.
James Gandolfini: Este foi um dos últimos papéis do ator antes de sua morte em 2013. O personagem dele é o oposto do herói de ação, mostrando o lado cansado do crime.
O Homem da Máfia é um filme para quem gosta de observar os detalhes e as entrelinhas. Não é sobre quem atira mais rápido, é sobre como o dinheiro dita as regras, não importa de que lado da lei você esteja.
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