Lolita (1997): Uma Análise Direta da Adaptação de Adrian Lyne
Eu já assisti a muita coisa controversa na vida, mas poucos filmes carregam o peso que Lolita (1997) carrega. Quando decidi assistir essa obra para escrever a respeito, deixei de lado qualquer moralismo barato para focar no que importa: cinema. Não é sobre romantizar o errado, é sobre entender como uma história difícil foi colocada na tela.
Ao contrário da versão do Kubrick de 1962 (versão que ainda estou garimpando para assistir), que teve que lidar com uma censura pesada, essa versão do final dos anos 90, dirigida por Adrian Lyne, tentou ser mais fiel ao livro do Vladimir Nabokov. O resultado é um filme tecnicamente impecável, mas difícil de digerir para muita gente. Vamos ao que interessa.
Ficha Técnica: Elenco e Direção de Peso
Para começar, a gente precisa falar de quem fez isso acontecer. O filme foi lançado oficialmente em 25 de setembro de 1997 (na Europa, porque nos EUA a distribuição foi um pesadelo devido ao tema). O título original segue sendo apenas "Lolita".
O diretor, Adrian Lyne, já era conhecido por Atração Fatal, então ele sabia como criar uma atmosfera de obsessão. Mas o trunfo aqui é o elenco:
Jeremy Irons como Humbert Humbert: O cara carrega o filme. A atuação dele é contida, calculista e passa exatamente a imagem de um homem perturbado, sem precisar de exageros.
Dominique Swain como Dolores "Lolita" Haze: Foi o primeiro papel dela e ela mandou bem, equilibrando a inocência e a manipulação que a personagem exige.
Melanie Griffith como Charlotte Haze: Faz o papel da mãe, e honestamente, entrega uma performance sólida.
A Nota IMDb do filme gira em torno de 6.8/10. Não é uma nota explosiva, mas filmes polêmicos tendem a dividir opiniões, o que puxa a média para baixo.
Enredo e Trilha Sonora: A Construção da Obsessão
Sem dar spoilers — até porque a história é um clássico —, a trama segue Humbert, um professor europeu de meia-idade que vai para os Estados Unidos e aluga um quarto na casa de Charlotte Haze. O motivo dele ficar não é a casa, nem a Charlotte, mas sim a filha dela de 12 anos (no livro), Dolores.
A narrativa é toda contada do ponto de vista dele. É uma estrada rumo ao precipício. O filme é um road movie sombrio disfarçado de drama.
O que segura a tensão o tempo todo, além da atuação do Irons, é a trilha sonora. Quem assina é ninguém menos que Ennio Morricone. A música é melancólica, às vezes até triste, o que cria um contraste bizarro com o que está acontecendo na tela. Morricone não tentou fazer algo "sexy", ele fez algo trágico, o que foi uma escolha acertada.
Locações e Produção: Onde o Filme Aconteceu
Visualmente, o filme é bonito. Adrian Lyne tem um olho estético muito apurado. A história se passa em uma viagem pelos Estados Unidos, atravessando aquele cenário de motéis de beira de estrada e paisagens abertas.
As locações de filmagem foram uma mistura interessante. Embora a história seja americana até o osso, boa parte das filmagens externas aconteceu no Texas e na Carolina do Norte para capturar aquela vibe rural e desértica. Porém, curiosamente, várias cenas também foram rodadas na França devido a questões legais e de produção. Eles conseguiram fazer a França parecer o interior dos EUA de forma bem convincente.
Curiosidades e Premiações
Se você gosta de bastidores, aqui é onde a coisa fica interessante. Fazer esse filme foi uma guerra.
A Dublê de Corpo: Dominique Swain tinha 15 anos durante as filmagens. Para evitar problemas legais (e éticos) ainda maiores, o diretor usou uma dublê de corpo adulta para qualquer cena que exigisse nudez ou situações mais explícitas.
Distribuição Travada: O filme ficou na gaveta por um bom tempo nos Estados Unidos. Nenhum estúdio queria colocar o logo na frente de uma história sobre pedofilia, mesmo sendo um clássico da literatura. Ele acabou estreando na TV a cabo (Showtime) antes de ir para alguns cinemas.
Premiações: O filme não foi o queridinho do Oscar, obviamente. A Academia costuma fugir desse tipo de polêmica. Porém, Dominique Swain ganhou o prêmio de Melhor Atriz Jovem no Young Artist Awards, e o filme recebeu algumas indicações menores em círculos de crítica, como o National Board of Review.
Veredito Final
Na minha visão, Lolita (1997) é um filme que vale pela técnica e pelas atuações. Jeremy Irons dá uma aula de como interpretar um personagem detestável sem torná-lo uma caricatura. Se você consegue separar o tema difícil da arte cinematográfica, é uma obra que mostra como a obsessão pode destruir tudo ao redor.
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