Se você curte cinema, sabe que adaptar Shakespeare é um terreno perigoso. Muita gente tenta, mas poucos conseguiram o que Baz Luhrmann fez em 1996. Vou te contar por que Romeo + Juliet (o título original é esse mesmo, com o sinal de mais) ainda é um soco no estômago de quem acha que filme clássico precisa ser parado e monótono.
O caos visual de Baz Luhrmann em 1996
Lançado em 1º de novembro de 1996, o filme não perde tempo com apresentações lentas. O diretor Baz Luhrmann pegou a Verona original e transformou em Verona Beach, um cenário que parece uma mistura de Miami com um videoclipe frenético da MTV dos anos 90.
A pegada aqui é visceral. Em vez de espadas, os caras usam pistolas 9mm customizadas com nomes de santos e brasões de família. A narrativa é rápida, cortada e cheia de cores saturadas. Para quem gosta de uma estética mais crua e direta, o visual do filme entrega exatamente isso, sem firulas desnecessárias.
O elenco que carregou o peso do drama
Não dá para falar desse filme sem citar o peso dos nomes envolvidos. No auge da juventude, Leonardo DiCaprio entregou um Romeu intenso, mas equilibrado, longe daquele estereótipo de herói perfeito. Ao lado dele, Claire Danes fez uma Julieta que, honestamente, parece ser a única pessoa lúcida no meio daquela guerra de gangues.
O elenco de apoio também é bruto. Temos John Leguizamo como um Teobaldo implacável e Paul Sorvino como o patriarca dos Capuleto. A dinâmica entre eles faz com que a rivalidade das famílias pareça algo real, um conflito de rua que você poderia encontrar em qualquer metrópole hoje em dia. No IMDb, o filme mantém uma nota sólida de 6.7, o que é bem alto para uma releitura tão experimental de um clássico.
Trilha sonora e as locações no México
Se tem algo que dita o ritmo desse filme, é a trilha sonora. Esqueça orquestras entediantes; aqui o som passa por Radiohead, Garbage e The Cardigans. A música "Lovefool" virou um hino da época, mas no contexto do filme, ela serve para contrastar com a violência que rola na tela. É uma escolha inteligente que tira o espectador da zona de conforto.
Sobre as locações, muita gente acha que foi gravado nos EUA, mas a maior parte das filmagens aconteceu na Cidade do México e em Veracruz. O Castelo de Chapultepec serviu de base para a mansão dos Capuleto, trazendo uma imponência que os sets de Hollywood dificilmente conseguiriam replicar com a mesma textura.
Curiosidades e o legado nas premiações
Mesmo sendo um filme "pop", ele foi respeitado pela crítica técnica. Levou o BAFTA de Melhor Direção e Roteiro Adaptado, além de uma indicação ao Oscar de Melhor Direção de Arte. Mas o que importa mesmo são os detalhes de bastidores:
Linguagem: O roteiro mantém o inglês elisabetano original de Shakespeare, o que cria um contraste bizarro e interessante com as roupas modernas e as armas.
DiCaprio: Ele aceitou o papel antes mesmo de ler o roteiro adaptado, só porque queria trabalhar com o Luhrmann após ver o estilo visual do diretor.
O Aquário: Aquela cena famosa do primeiro encontro através do vidro de um aquário foi uma das mais difíceis de iluminar, mas acabou virando a imagem mais icônica do longa.
O filme não tenta te fazer chorar de forma barata. Ele te joga no meio de um conflito urbano onde o romance é apenas a faísca que explode o barril de pólvora. É cinema de impacto, direto ao ponto.
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