Mary and Max: Por que você precisa assistir a essa animação (que não é para crianças)
Análise direta do filme Mary and Max. Descubra curiosidades, nota no IMDb, ficha técnica e porque essa animação stop-motion é um clássico cult obrigatório.
Eu costumo dizer que nem todo desenho é feito para deixar a molecada quieta no sofá. Tem coisa que é arte séria, feita com paciência e roteiro afiado. O filme Mary and Max é exatamente isso.
Assisti recentemente e decidi escrever sobre ele sem muita enrolação. É uma história sobre solidão, confusão mental e uma amizade improvável, entregue de um jeito cru e visualmente impressionante. Se você gosta de cinema que foge do padrão Hollywood, cola aqui que eu vou te passar a visão completa dessa obra.
Uma história simples, mas pesada
Vamos ser diretos: Mary and Max não é aquele filme "feel good" da Disney. A trama gira em torno de duas pessoas que não poderiam ser mais diferentes, mas que compartilham o mesmo problema: o isolamento social.
De um lado, temos Mary Dinkle, uma garotinha gordinha e solitária vivendo nos subúrbios da Austrália. Do outro, Max Horowitz, um homem de 44 anos, judeu, com obesidade mórbida e Síndrome de Asperger, vivendo em Nova York. Tudo começa quando Mary escolhe um nome aleatório na lista telefônica dos EUA para perguntar de onde vêm os bebês. A carta chega no Max, e aí começa uma troca de correspondências que dura décadas.
O filme aborda temas como alcoolismo, suicídio e autismo de forma muito prática. Não tem aquela maquiagem dramática exagerada; as coisas são mostradas como são, o que torna a experiência bem mais interessante para quem curte um roteiro maduro.
Ficha Técnica: Quem está por trás da obra
Para quem gosta de dados técnicos e quer saber se o filme tem "pedigree", aqui vai o resumo do que importa. A qualidade técnica dessa produção é absurda, considerando que não é um blockbuster de estúdio gigante.
Título Original: Mary and Max
Data de Lançamento: 2009 (No Brasil, chegou um pouco depois)
Diretor e Roteirista: Adam Elliot. O cara é um gênio do stop-motion independente.
Elenco de Voz (Original): Aqui o peso é pesado. Philip Seymour Hoffman (Max), Toni Collette (Mary), Eric Bana (Damien) e Barry Humphries (Narrador).
Nota IMDb: O filme segura uma média sólida de 8.1/10. Isso é nota de filme cult respeitado.
Locações de Filmagem: Como é uma animação stop-motion, não houve filmagem externa. Tudo foi rodado nos estúdios da Melodrama Pictures em Melbourne, Austrália, mas a ambientação recria perfeitamente o Monte Waverley (Austrália) e uma Nova York cinzenta.
Ter o Philip Seymour Hoffman na voz do Max foi um acerto gigantesco. O tom monocórdico e ansioso que ele dá ao personagem convence qualquer um.
A estética e a trilha sonora de Mary and Max
Uma coisa que me chamou a atenção logo de cara foi a paleta de cores. O diretor usou um esquema visual inteligente para separar os mundos. O mundo da Mary, na Austrália, é todo em tons de sépia (marrom), dando uma sensação de coisa velha, empoeirada. Já o mundo do Max, em Nova York, é preto, branco e cinza, passando a frieza e o caos urbano. A única cor "viva" que aparece é o vermelho, usado pontualmente para destacar objetos importantes.
Sobre a trilha sonora, ela casa perfeitamente com a narrativa. A música tema principal, "Perpetuum Mobile" da Penguin Cafe Orchestra, é daquelas que ficam na cabeça. É repetitiva, mas hipnótica, funcionando como uma engrenagem que move a vida rotineira dos personagens. Também rola "Que Sera, Sera", que dá um tom irônico em certos momentos.
Não espere explosões visuais. A beleza aqui está nos detalhes da massinha de modelar, na textura das roupas e na iluminação que parece teatro.
Curiosidades que você provavelmente não sabia
Se você é curioso como eu e gosta de saber como a "salsicha é feita", se liga nesses fatos sobre a produção de Mary and Max:
Baseado em fatos: O diretor Adam Elliot afirmou que o personagem Max é inspirado em um amigo por correspondência que ele tem na vida real há mais de 20 anos.
Trabalho braçal: O filme demorou quase cinco anos para ficar pronto. A animação stop-motion exige que cada movimento seja fotografado quadro a quadro. Eram necessários dias inteiros de trabalho para produzir apenas alguns segundos de filme.
Sem CGI: Praticamente tudo o que você vê na tela foi feito à mão. Eles evitaram ao máximo usar computação gráfica. A fumaça, a água, tudo é truque prático de estúdio.
Homenagem: O filme abre com uma dedicatória a Barry Humphries (o narrador) e ao verdadeiro amigo de correspondência de Elliot.
Vale a pena assistir?
Sem dúvida. É um filme curto (pouco mais de 1h30), direto e com um humor ácido que funciona muito bem. Se você quer sair do óbvio e assistir algo que te faz pensar sobre a vida sem precisar de lição de moral barata, Mary and Max é a escolha certa para o fim de semana.
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