Revendo Down by Law: A Pior Fuga da Minha Vida
Lembro como se fosse ontem. Era o final de 1986, e eu estava com uns amigos procurando algo diferente para assistir no cinema. Foi aí que nos deparamos com Down by Law, o filme que acabou virando um clássico cult. Sinceramente, na época, eu não sabia nada sobre Jim Jarmusch, o diretor, mas o título original, Down by Law, e a sinopse meio noir já me pegaram.
É o tipo de filme que te faz pensar, sabe? Não é ação desenfreada, é mais sobre o que acontece quando a vida te coloca numa enrascada.
Desde o começo, o ritmo é lento, proposital, com aquela fotografia preto e branco da Nova Orleans (a principal locação de filmagem, junto com a Louisiana) que te engole. A história é simples: um DJ, um gigolô e um turista que se encontram na mesma cela. A performance dos caras é o que realmente sustenta a trama.
O Elenco de Peso e a Trilha Sonora Que Gruda
O trio principal, Tom Waits (como Zack, o DJ), John Lurie (como Jack, o gigolô) e, claro, o italiano Roberto Benigni (como Roberto, o turista), é a alma do filme. Waits e Lurie já eram conhecidos, mas Benigni rouba a cena com seu personagem falador e ingênuo. A química entre eles, as brigas e a maneira como eles se comunicam, apesar das diferenças, é o ponto alto.
A trilha sonora é outro show à parte. Assinada por John Lurie, com contribuições de Tom Waits, ela tem aquele toque de jazz melancólico e blues que encaixa perfeitamente no clima de Nova Orleans. A música não só acompanha a história, ela é a história em muitos momentos, reforçando a solidão e o tédio da prisão.
Reconhecimento e a Nota Que Faz Sentido
É curioso como alguns filmes demoram a ganhar o merecido reconhecimento. Down by Law não saiu levando um monte de estatuetas na época, mas foi um sucesso de crítica. Ele chegou a ser indicado à Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes, em 1986. Isso já diz muito sobre a qualidade do trabalho de Jarmusch.
Hoje, no IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 7.5/10, o que, para um filme indie com um ritmo mais contemplativo, mostra que ele envelheceu muito bem e continua sendo relevante. Não é um filme para quem busca só entretenimento fácil, é para quem curte cinema de verdade.
Curiosidades de Bastidores e Minha Conclusão
Uma coisa que poucos sabem é que a ideia de Jarmusch era fazer um filme com Waits e Lurie juntos. A inclusão de Benigni foi quase um acaso, e a parte dele falada em italiano e seu inglês macarrônico foram totalmente incorporados ao roteiro. Além disso, a famosa frase de Benigni, “I scream, you scream, we all scream for ice cream” (Eu grito, você grita, todos nós gritamos por sorvete), virou um marco do filme e é uma das poucas cores de emoção que a narrativa permite.
O filme termina com uma virada, mas não do jeito que você espera. É uma conclusão honesta, meio agridoce, que me deixou pensando por dias. Não vou dar spoiler aqui, mas é o tipo de final que sela a personalidade do filme: não há grandes lições, apenas a vida seguindo em frente, meio incerta, meio por acaso.
Se você está procurando um cinema autoral, com ótimas atuações e uma fotografia impecável, Down by Law é a pedida certa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário