Sabe aquele tipo de filme que você encontra por acaso no streaming em uma noite de terça-feira e resolve dar o play só pelo elenco? Foi exatamente assim que cheguei em Mentiras e Traições (Lies We Tell), de 2017. O título nacional é genérico, eu sei, mas o que me chamou a atenção de verdade foi ver Gabriel Byrne e Harvey Keitel dividindo a tela.
Se você está procurando um suspense que não tenta te vender explosões a cada cinco minutos, mas foca mais no peso das escolhas erradas, vale a pena entender o que esse longa entrega.
O enredo e a pegada de Mentiras e Traições
A história gira em torno de Donald (Gabriel Byrne), um motorista que trabalhou a vida toda para um bilionário chamado Demi, interpretado pelo Harvey Keitel. Quando o patrão morre, Donald recebe uma última missão: apagar os rastros de um caso extraconjugal do falecido. O problema é que essa "limpeza" envolve uma jovem muçulmana e uma rede de problemas que o motorista não previu.
O filme foi lançado mundialmente em 21 de setembro de 2017 e tem a direção de Mitu Misra. O tom é seco, direto e evita floreios emocionais. É uma narrativa sobre lealdade levada ao extremo, onde o protagonista se vê preso entre o dever profissional e a sua própria bússola moral.
Um elenco de peso e a ambientação britânica
Não dá para ignorar o time que o diretor conseguiu reunir. Além de Byrne e Keitel, temos a Sibylla Deen fazendo o papel de Amber, a peça central do conflito, e o Mark Addy (que muita gente conhece de Game of Thrones). A atuação do Byrne é contida, bem no estilo "homem de poucas palavras", o que combina com o clima cinzento do filme.
As locações de filmagem ajudam muito nessa atmosfera. O longa foi rodado em West Yorkshire, na Inglaterra, passando por lugares como Bradford e Leeds. Aquele cenário urbano britânico, com céu carregado e ruas estreitas, serve como uma luva para um suspense que lida com segredos sujos e o submundo do crime.
Trilha sonora e aspectos técnicos
Um ponto que me surpreendeu positivamente foi a trilha sonora. Ela é assinada por Zbigniew Preisner, o premiado compositor polonês que trabalhou em clássicos como A Liberdade é Azul. A música dele traz uma sofisticação que o filme, por ser uma estreia de diretor, talvez não tivesse sem esse suporte técnico.
Sobre o reconhecimento da crítica, o filme teve uma passagem discreta pelos festivais, participando do Festival de Cinema de Raindance. Não é uma obra de grandes premiações, mas funciona bem para quem gosta de dramas criminais com uma pegada mais pé no chão.
Curiosidades e a nota no IMDb: vale o play?
Se você liga para números, a nota no IMDb gira em torno de 5.3. É uma pontuação mediana, o que mostra que o filme divide opiniões. Ele não é um "blockbuster" de ritmo acelerado, e sim um filme que exige um pouco mais de paciência do espectador.
Aqui vão algumas curiosidades rápidas:
Estreia tardia: O diretor Mitu Misra era, na verdade, um ex-taxista que passou anos tentando tirar esse projeto do papel.
Título original: O nome em inglês é Lies We Tell, que traduzindo literalmente seria "Mentiras que contamos", algo que faz muito mais sentido com a trama do que o título em português.
Estilo: O filme mistura elementos de suspense com questões culturais profundas, o que o diferencia de um filme de ação comum.
No fim das contas, Mentiras e Traições é aquele tipo de filme para quem gosta de observar o comportamento humano e as consequências de segredos antigos. Não espere um final de conto de fadas, o clima aqui é de realidade dura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário