Sempre tive uma queda por ficção científica que faz a gente se sentir pequeno, e nenhum filme faz isso tão bem quanto o clássico de 1968. Se você está acostumado com os efeitos digitais modernos do Caesar, precisa voltar às raízes para entender onde a mágica começou. Vou te contar por que esse filme ainda é um soco no estômago, mesmo décadas depois.
O nascimento de um ícone da ficção científica
O filme, que no original se chama Planet of the Apes, chegou aos cinemas em 3 de abril de 1968. Naquela época, a ideia de macacos dominando o mundo parecia absurda para alguns, mas o diretor Franklin J. Schaffner conseguiu transformar essa premissa em algo sombrio e muito verossímil.
A trama coloca o astronauta George Taylor, vivido pelo lendário Charlton Heston, em um planeta onde a evolução deu um nó: os símios falam e governam, enquanto os humanos são tratados como animais selvagens e mudos. No elenco, ainda temos nomes como Roddy McDowall e Kim Hunter, que entregam performances absurdas mesmo por trás de camadas pesadas de látex. Aliás, o filme levou um Oscar Honorário justamente pela maquiagem inovadora de John Chambers, já que a categoria de "Melhor Maquiagem" nem existia oficialmente na época.
A atmosfera e os bastidores do planeta desconhecido
Um dos pontos que mais me prende nesse filme é a ambientação. As locações de filmagem ajudam muito a criar aquele clima de desolação. Grande parte das cenas externas foi rodada no Arizona e em Utah, perto do Lago Powell e do Rio Colorado. Aquele visual árido e rochoso faz você acreditar que está em outro sistema solar, a anos-luz de casa.
Outro detalhe que não dá para ignorar é a trilha sonora. Composta por Jerry Goldsmith, ela é estranha, experimental e usa instrumentos de percussão nada convencionais. Ela não serve apenas para acompanhar a imagem; ela dita o ritmo do desconforto. No IMDb, o filme ostenta uma nota 8.0, o que é um feito gigante para uma obra de gênero dos anos 60. Ele também foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora Original.
Curiosidades que mudam sua visão sobre a obra
Existem alguns fatos de bastidores que mostram o nível de dedicação da produção. Por exemplo, os figurantes que interpretavam os macacos acabavam se dividindo em grupos durante os intervalos de almoço: gorilas com gorilas, chimpanzés com chimpanzés e orangotangos com orangotangos. Foi uma segregação social espontânea e bizarra que aconteceu no set.
Além disso, o roteiro passou pelas mãos de Rod Serling, o gênio por trás de Além da Imaginação. Dá para sentir o DNA dele em cada diálogo reflexivo e na crítica social ácida que o filme carrega sobre guerra nuclear, religião e ciência. Outro ponto curioso é que o orçamento era apertado, então eles tiveram que ser criativos com as próteses faciais para garantir que os atores ainda conseguissem expressar emoções.
Por que assistir ao clássico hoje em dia?
Mesmo sem os efeitos especiais de ponta que temos hoje, o filme de 1968 sobrevive pelo roteiro e pela coragem de questionar a natureza humana. Ele não te entrega as respostas de bandeja e mantém um clima de tensão constante. É o tipo de cinema que te faz desligar a TV e ficar olhando para a parede por cinco minutos, processando o que acabou de ver.
Se você gosta de uma narrativa direta, sem enrolação e com uma estética crua, esse é o ponto de partida obrigatório. É ficção científica pura, feita para quem gosta de pensar enquanto assiste.
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