Sabe aquele tipo de filme que parece que foi feito para ser assistido numa tela gigante, com o som no talo e uma lanterna do lado caso as luzes da casa apaguem? Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind) é exatamente essa experiência. Lançado em 1977, o filme é uma aula de como criar suspense sem precisar de monstros pulando na tela a cada cinco minutos.
Com uma nota 7.6 no IMDb, a obra é um pilar da ficção científica. O longa foi escrito e dirigido por ninguém menos que Steven Spielberg, que aqui já mostrava que era o mestre em transformar o cotidiano em algo extraordinário. No elenco, temos Richard Dreyfuss, François Truffaut e Teri Garr entregando performances que trazem um peso humano para uma história que, nas mãos de qualquer outro, poderia ter virado só um "filme de disco voador".
Como surgiu a ideia para esse clássico?
Tudo começou com a obsessão do Spielberg pelo desconhecido. Ele não queria contar uma história de invasão alienígena onde o mundo explode; ele queria mostrar o impacto psicológico de um contato real. O filme foca em Roy Neary (Richard Dreyfuss), um eletricista comum que tem um encontro com um OVNI e fica obcecado por uma imagem mental de uma montanha.
As locações foram fundamentais para criar essa atmosfera. A mais icônica, com certeza, é a Devils Tower no Wyoming. Aquele monumento natural se tornou quase um personagem do filme. Spielberg rodou boa parte das cenas internas em hangares de aviões gigantescos no Alabama para conseguir controlar a iluminação, que é o coração da narrativa.
Quem faz parte do elenco de Contatos Imediatos?
O Richard Dreyfuss está excelente como o cara que está perdendo a cabeça (e a família) por causa de algo que ele não consegue explicar. Mas a grande sacada do Spielberg foi escalar o diretor francês François Truffaut para o papel de Claude Lacombe. Ter um dos gênios da Nouvelle Vague francesa interpretando um cientista que busca a comunicação através da música e da luz trouxe uma elegância absurda para o projeto.
Além deles, o elenco conta com Melinda Dillon e o pequeno Cary Guffey. Diz a lenda que o Spielberg conseguia as reações naturais da criança fazendo truques de mágica ou aparecendo fantasiado de gorila atrás das câmeras. O resultado é uma atuação infantil que parece 100% real, sem aquela afetação de ator mirim de comercial.
Quais são as curiosidades mais interessantes dos bastidores?
Muita gente não sabe, mas o título vem de uma classificação real criada pelo astrônomo e ufólogo J. Allen Hynek. O "terceiro grau" é justamente o contato físico ou a observação de seres vivos. O próprio Hynek faz uma participação especial (um cameo) na cena final do filme, misturado entre os cientistas.
Outra curiosidade animal é sobre a icônica sequência musical de cinco notas. O compositor John Williams testou centenas de combinações antes de chegar naquela melodia simples que todo mundo reconhece hoje. A ideia era criar algo que soasse como uma saudação, não como uma música complexa. E funcionou: até hoje, se você tocar aquelas cinco notas, qualquer fã de cinema sabe do que se trata.
O filme ainda vale a pena depois de tanto tempo?
Sendo bem direto: vale cada segundo. A crítica da obra passa muito pela forma como ela envelheceu bem. Os efeitos visuais, comandados pelo mestre Douglas Trumbull (o mesmo de 2001: Uma Odisseia no Espaço), ainda impressionam mais do que muito CGI moderno porque têm textura e profundidade.
O que eu mais curto nesse filme é a abordagem. Ele não é sobre guerra; é sobre comunicação e a nossa curiosidade nata pelo que está lá fora. Spielberg trata os alienígenas não como ameaças, mas como exploradores, assim como nós. É um filme contemplativo, técnico e, acima de tudo, muito bem executado. Se você quer entender por que o Spielberg é o que é hoje, precisa assistir a esse clássico.
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