Se você curte aquele cinema que te deixa grudado na cadeira, sem fôlego e pensando na vida por dias, "Onde os Fracos Não Têm Vez" é parada obrigatória. Assisti a esse filme de novo recentemente e, vou te falar, a sensação de tensão não diminui, mesmo sabendo o que vai acontecer. É uma obra-prima que não desperdiça um segundo de tela.
Aqui estão os detalhes técnicos para a gente se situar:
Título Original: No Country for Old Men
Ano de Lançamento: 2007
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin
Nota IMDb: 8.2/10
Locação: Filmado principalmente nas paisagens desoladas do Novo México e Texas.
Do que se trata a história de Onde os Fracos Não Têm Vez?
A trama é um soco no estômago. Tudo começa quando Llewelyn Moss (Josh Brolin), um veterano do Vietnã que está caçando no deserto, se depara com uma cena de crime: um negócio de drogas que deu muito errado. No meio do caos, ele encontra uma maleta com dois milhões de dólares.
O erro dele? Achar que poderia levar o dinheiro e sair ileso. A partir daí, ele passa a ser caçado por Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicopata que usa uma pistola de ar comprimido para gado e decide o destino das pessoas no cara ou coroa. Enquanto isso, o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) tenta entender essa onda de violência que parece não ter mais lugar para os valores antigos.
Por que Anton Chigurh é um dos maiores vilões do cinema?
Não dá para falar desse filme sem mencionar o trabalho absurdo do Javier Bardem. O cara criou um monstro. Chigurh não é o vilão típico que quer dominar o mundo ou que tem um plano mirabolante. Ele é quase uma força da natureza, uma personificação do azar ou do destino implacável.
Aquele cabelo bizarro e o olhar vazio dão um contraste tenso com a frieza com que ele executa suas tarefas. Ele segue um código de honra distorcido que é impossível de prever, o que torna cada diálogo dele uma tortura psicológica para quem está do outro lado. Não é à toa que o Bardem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esse papel.
Quais são as curiosidades que cercam a produção dos Coen?
O filme é cheio de detalhes que mostram o capricho dos irmãos Coen. Muita gente não percebe de primeira, mas a obra quase não tem trilha sonora. O que você ouve é o som do vento, o barulho das botas no chão e o silêncio perturbador do deserto. Isso aumenta a imersão de um jeito que pouca trilha conseguiria.
Outro ponto curioso é que o filme foi rodado na mesma época e região que "Sangue Negro". Dizem as más línguas que a fumaça de um teste de incêndio no set de "Sangue Negro" chegou a atrapalhar as filmagens dos Coen por um dia inteiro. No fim, ambos os filmes dominaram as premiações daquele ano. Além disso, o título vem de um poema de W.B. Yeats, chamado "Sailing to Byzantium", que reflete justamente sobre como o mundo se torna estranho para os mais velhos.
Vale a pena assistir a esse clássico moderno?
Minha crítica é direta: "Onde os Fracos Não Têm Vez" é um filme sobre consequências. Ele quebra as regras do gênero policial ao evitar clichês de heróis imbatíveis ou finais redentores. A narrativa é seca, masculina no sentido de ser prática e brutal, mas extremamente profunda ao questionar se o mundo sempre foi violento ou se nós é que perdemos a capacidade de lidar com ele.
A fotografia é impecável, aproveitando a vastidão do Texas para criar uma sensação de isolamento. Se você busca um filme que respeita a sua inteligência e entrega uma experiência visceral, esse é o título. É cinema de altíssimo nível, feito por quem entende de narrativa e ritmo.
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