Fui ao cinema conferir Bugonia, o novo trabalho do Yorgos Lanthimos, e saí de lá com a sensação de que o diretor grego continua em sua melhor fase. Se você acompanha a trajetória dele, sabe que não dá para esperar nada convencional. O filme é um remake de uma obra coreana cultuada (Save the Green Planet!), mas Lanthimos coloca sua digital em cada frame.
Aqui está o que você precisa saber sobre essa produção sem entregar o que realmente importa: a experiência de assistir.
O que esperar de Bugonia e a parceria Stone-Plemons
O título original é o próprio Bugonia, e a trama gira em torno de dois jovens obcecados por teorias da conspiração. Eles estão convencidos de que a CEO de uma grande corporação é, na verdade, uma alienígena com planos de destruir a Terra. Para "salvar o mundo", eles decidem sequestrá-la.
O elenco é o ponto alto. Emma Stone e Jesse Plemons repetem a parceria de Tipos de Gentileza, e a química entre eles funciona de um jeito estranho e magnético. Plemons entrega aquela atuação contida e levemente perturbadora que se tornou sua marca registrada, enquanto Stone prova por que é a queridinha atual de Lanthimos. O filme foi lançado oficialmente no final de 2025, chegando com força aos cinemas agora no início de 2026.
Direção, locações e a estética visual
Yorgos Lanthimos comanda o projeto com o rigor visual de sempre. Grande parte das locações de filmagem se dividiram entre o Reino Unido (especialmente nos estúdios em Buckinghamshire) e Nova York, o que dá ao filme um ar cosmopolita, mas claustrofóbico ao mesmo tempo.
A trilha sonora é outro elemento que merece atenção. Diferente de trilhas épicas ou dramáticas demais, aqui ela funciona de forma pontual, usando silêncios e sons dissonantes para aumentar o desconforto. É o tipo de som que te deixa em alerta, sem que você perceba exatamente o porquê. No comando técnico, a edição mantém o ritmo fluido, fazendo com que as quase duas horas de filme passem sem que você sinta o tempo.
Recepção, nota no IMDb e premiações
Mesmo sendo um filme recente, a crítica já abraçou a obra. No IMDb, a nota está oscilando em 7.8, o que é excelente para um filme com uma proposta tão fora da curva. Em termos de premiações, o burburinho começou cedo nos festivais de outono e a produção já garantiu indicações importantes em categorias de Roteiro Adaptado e Melhor Atriz.
É um filme que divide opiniões — como quase tudo que o Lanthimos faz — mas é inegável que ele sabe como prender a atenção do público com uma narrativa direta, seca e desprovida de sentimentalismos baratos.
Curiosidades sobre a produção
Existem alguns detalhes interessantes que tornam a experiência de ver Bugonia ainda mais curiosa:
Remake coreano: O roteiro é baseado no filme sul-coreano de 2003, mas Lanthimos mudou o tom para algo mais satírico e menos "pastelão".
Significado do nome: "Bugonia" refere-se a um antigo ritual grego onde se acreditava que abelhas nasciam de carcaças de bois — uma metáfora para vida surgindo da morte que faz todo sentido quando você termina de assistir.
Reencontro: Este é o terceiro projeto seguido de Emma Stone com o diretor, consolidando uma das parcerias mais produtivas do cinema atual.
No fim das contas, Bugonia é um filme sobre paranoia e a busca por sentido em um mundo que parece não ter nenhum. Se você gosta de cinema autoral que te faz pensar sem ser pedante, vale o ingresso.
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