O Início de uma Nova Caçada: Alien 3
Eu sempre fui um cara mais de ação e suspense do que de terror puro. Quando penso na franquia Alien, a primeira coisa que me vem à cabeça é a coragem de Ripley. Mas, sejamos honestos, depois do segundo filme, o sarrafo estava lá em cima. Fui conferir Alien 3, sabendo que o clima seria diferente. O filme, lançado em 22 de maio de 1992, chegou causando um certo alvoroço, e não é para menos. Afinal, a saga de Ellen Ripley tinha que continuar, mas de uma forma... inusitada.
Por Trás das Câmeras: David Fincher e o Inferno de Produção
Sabe quando um projeto nasce com problemas? Foi o caso de Alien 3. O estúdio queria uma coisa, os roteiristas outra, e a coisa virou uma bagunça de bastidores. O longa marcou a estreia de um nome que hoje é gigante: David Fincher (o mesmo de Se7en e Clube da Luta).
Fincher pegou o projeto, mas a produção foi tão turbulenta que ele praticamente se desvinculou do corte final, chegando a dizer que odiava a experiência. Apesar de tudo, ele conseguiu dar um tom visualmente sombrio e claustrofóbico que eu, particularmente, achei que casou bem com a proposta de colocar Ripley em um lugar sem esperança.
No elenco, a gigante Sigourney Weaver retorna como a Tenente Ripley, claro. Ela é o coração da franquia. Ao lado dela, temos caras como Charles S. Dutton (Dillon) e Charles Dance (Clemens). Eles trazem uma seriedade e um peso dramático necessários para o ambiente de desespero do planeta prisão.
O Cenário Sombrio: Locações e A Trilha Sonora de Elliot Goldenthal
O filme se passa na Fiorina "Fury" 161, uma colônia penal operada por ex-prisioneiros. Se a ideia era criar um lugar desolador, eles acertaram em cheio. As locações de filmagem foram principalmente nos Pinewood Studios, na Inglaterra, onde construíram os sets imensos e labirínticos que reforçam aquela sensação de estar preso e acuado. Isso, para mim, é a essência do suspense.
Um ponto que ajuda a construir essa atmosfera de "fim de linha" é a trilha sonora. Composta por Elliot Goldenthal, a música é menos épica e mais tensa que as anteriores. Ela é carregada de metais e percussão que parecem gritar desespero. É o tipo de som que te deixa na ponta da cadeira, esperando o bote. Se você curte uma trilha que é quase um personagem, essa vale a conferida.
Nota IMDb, Fãs e Curiosidades que Você Não Sabia
Para quem se liga em números, a recepção de Alien 3 foi morna na época, e isso se reflete na sua classificação no IMDb: o filme tem uma nota 6.4/10. É a nota mais baixa da trilogia original, mas isso não significa que o filme seja ruim. Ele é apenas... divisivo. Muitos fãs não engoliram a forma como a história de Ripley é tratada.
Curiosidade: Sabe por que a Tenente Ripley raspa a cabeça no filme? Não foi só uma decisão estética. Para convencer a produção a demolir os sets após o término das filmagens (como ela queria para evitar futuros usos indevidos), Sigourney Weaver aceitou ter sua cabeça raspada, o que adicionou um elemento visual forte ao seu arco.
Outra curiosidade bacana é que a Fox estava de olho em trazer William Gibson, o pai do cyberpunk, para escrever uma versão do roteiro. Essa versão nunca foi filmada, mas existe e é muito diferente do que vimos.
Meu Veredito: Um Capítulo Polêmico, Mas Necessário
No fim das contas, Alien 3 é um filme que sai da zona de conforto. Ele é mais lento, mais sobre a impotência humana e menos sobre a guerra. Ele te coloca na pele de Ripley, que está literalmente sozinha contra uma criatura aterrorizante, e sem armas de alto calibre. É uma aposta arriscada de Fincher que, apesar dos problemas de bastidores, resultou em um filme com sua própria identidade.
Se você é fã da saga e quer ver uma abordagem diferente, mais focada no terror psicológico e na perseguição implacável, vale a pena encarar Alien 3. Ele fecha um ciclo e prepara o terreno para o que viria depois, provando que a Tenente Ripley é muito mais dura na queda do que qualquer um de nós.
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