Se você gosta de cinema que te faz fritar o cérebro, Tenet é o tipo de filme que não aceita ser assistido enquanto você checa o celular. Eu sentei para ver esse filme esperando um "James Bond com viagem no tempo" e recebi algo muito mais complexo.
Christopher Nolan, o diretor, não entrega nada de mão beijada. Ele joga as peças no tabuleiro e você que lute para entender como elas se encaixam. Mas relaxa, vou te passar a visão geral dessa obra sem estragar as surpresas.
O que é Tenet e por que ele é diferente?
O título original é exatamente esse: Tenet. É um palíndromo (lê-se igual de trás para frente), o que já dá a letra sobre a estrutura do roteiro. Lançado em agosto de 2020, no meio daquela confusão mundial, o filme foi a aposta do Nolan para trazer a galera de volta aos cinemas.
A trama gira em torno de um agente da CIA, interpretado pelo John David Washington, que é recrutado por uma organização misteriosa. A missão? Impedir a Terceira Guerra Mundial. Mas o inimigo não vem de outro país, ele vem do futuro. Eles usam uma tecnologia de inversão de entropia, o que faz com que objetos e pessoas se movam para trás no tempo enquanto o resto do mundo segue para frente.
Elenco de peso e uma nota respeitável
No IMDb, o filme segura uma nota 7.3. É uma pontuação sólida, considerando que muita gente saiu do cinema sem entender metade do que aconteceu. Além do Washington, temos o Robert Pattinson, que entrega uma atuação bem carismática e prova que é muito mais do que o "cara do Crepúsculo". O vilão fica por conta do veterano Kenneth Branagh, que faz um oligarca russo bem intimidador, e a Elizabeth Debicki fecha o núcleo principal com uma performance bem intensa.
A produção não economizou nas locações. Os caras rodaram o mundo:
Estônia (aquela cena insana de perseguição na rodovia)
Itália
Índia
Dinamarca
Noruega
Reino Unido
Estados Unidos
Ver esses cenários reais faz toda a diferença. O Nolan tem essa pira de não usar muito fundo verde (CGI), então o que você vê ali aconteceu de verdade.
Trilha sonora e as premiações que importam
Se você sentiu falta do Hans Zimmer, saiba que ele estava ocupado com Duna. Quem assumiu o som aqui foi o Ludwig Göransson. O cara mandou muito bem, criando uma trilha experimental que usa sons de respiração e distorções que combinam perfeitamente com a ideia de tempo invertido.
No quesito prêmios, Tenet não passou em branco. O filme levou o Oscar de Melhores Efeitos Visuais, o que é justíssimo. Quando você vê as cenas de luta onde um cara está indo para frente e o outro está "desfazendo" os movimentos, entende o nível técnico da parada.
Algumas curiosidades para você não ficar perdido
Para fechar o papo, separei uns detalhes que mudam a forma como a gente enxerga o filme:
O avião real: Lembra da cena do Boeing 747 batendo no hangar? Eles não usaram miniatura nem efeitos digitais. Compraram um avião velho e bateram ele de verdade porque saiu mais barato e ficou mais realista.
Atores em modo reverso: Os atores tiveram que aprender a falar e se mover de trás para frente para que as cenas de inversão ficassem perfeitas.
Quadrado de Sator: O nome de vários elementos do filme (Sator, Arepo, Tenet, Opera, Rotas) vem de um antigo palíndromo latino encontrado em ruínas romanas.
Tenet é um exercício de atenção. Se você curte ficção científica técnica e não se importa de ter que assistir duas ou três vezes para captar todos os detalhes, vale muito o play. É cinema de alto nível, feito para quem gosta de pensar.
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