Sempre que alguém me pede uma recomendação de filme de guerra que fuja do clichê de "tiroteio desenfreado", o primeiro que me vem à cabeça é 1917. Eu assisti sem esperar muita coisa e saí do cinema impressionado com a parte técnica. O filme não tenta te fazer chorar com dramas forçados; ele te joga dentro da trincheira e te obriga a correr junto com os personagens.
Vou te contar por que esse longa, dirigido pelo Sam Mendes, se tornou um marco recente do cinema, sem entregar nenhuma surpresa da trama.
A proposta técnica e o impacto visual de 1917
O grande trunfo de 1917 (que mantém o título original no Brasil) é a forma como ele foi filmado. A ideia do diretor foi passar a sensação de que o filme inteiro é um plano-sequência único. Ou seja, parece que a câmera nunca desliga e não há cortes.
Na prática, isso cria uma imersão absurda. Lançado mundialmente entre o final de 2019 e o início de 2020, o filme te coloca no ombro dos dois soldados protagonistas e não te deixa respirar. Eu achei essa escolha genial porque você sente o cansaço, a lama e o perigo de um jeito muito mais real do que em filmes com cortes rápidos de ação.
O elenco e a nota no IMDb
Muita gente acha que o filme sobrevive só de técnica, mas as atuações são sólidas. O foco está nos jovens George MacKay (Schofield) e Dean-Charles Chapman (Blake). Eles entregam um trabalho físico exaustivo.
Para dar um peso extra, o filme tem participações rápidas de "pesos pesados" como Benedict Cumberbatch, Colin Firth e Mark Strong. Eles aparecem pouco, mas dão a gravidade necessária para as ordens militares que movem a história. No IMDb, o filme ostenta uma nota 8.2/10, o que é um reflexo direto dessa execução quase impecável.
Ficha Técnica de 1917:
Diretor: Sam Mendes
Atores Principais: George MacKay, Dean-Charles Chapman
Data de Lançamento: Janeiro de 2020 (Brasil)
Gênero: Guerra/Drama
Imersão sonora e locações reais
A trilha sonora, composta por Thomas Newman, é outro ponto que eu preciso destacar. Ela não é aquela música heroica de fanfarra; é tensa, minimalista e cresce nos momentos de urgência. Quando o silêncio toma conta, você sabe que algo está prestes a acontecer.
Sobre as locações, o filme foi rodado em diversos pontos do Reino Unido e Escócia. Eles construíram quilômetros de trincheiras reais para que a câmera pudesse circular livremente. É por isso que tudo parece tão tátil e sujo; não tem aquele aspecto de cenário de estúdio feito no computador.
Premiações e curiosidades dos bastidores
Se você gosta de saber quem levou a estatueta para casa, 1917 foi um dos grandes nomes do Oscar 2020. Ele venceu em três categorias técnicas fundamentais: Melhor Fotografia (para o mestre Roger Deakins), Melhores Efeitos Visuais e Melhor Mixagem de Som. Além disso, levou o Globo de Ouro de Melhor Filme de Drama.
Aqui vão algumas curiosidades que eu acho bacana saber:
O cigarro: Em uma cena famosa, George MacKay precisou acender um cigarro enquanto corria. Ele levou dezenas de tomadas para conseguir, porque o vento ou o isqueiro sempre falhavam.
Luz natural: Como o filme parece acontecer em tempo real, eles só filmavam quando o céu estava nublado. Se o sol saía, a equipe parava tudo para não quebrar a continuidade da luz.
História real: Sam Mendes escreveu o roteiro baseado nas histórias que seu avô, Alfred Mendes, contava sobre o tempo em que serviu na Primeira Guerra Mundial.
O filme é uma experiência de sobrevivência direta e sem enrolação. Se você quer ver um cinema de alto nível, com uma narrativa fluida e uma técnica que deixa qualquer um de queixo caído, dê o play em 1917. Vale cada minuto.
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