Almas à Venda (Cold Souls): Uma Viagem Cínica em Busca da Própria Alma
Sabe aquela fase da vida em que você se sente esgotado, com a criatividade em baixa e a ansiedade nas alturas? Pois é, eu conheço bem. E, aparentemente, o ator Paul Giamatti — ou melhor, a versão fictícia dele no filme Almas à Venda (Cold Souls) — também.
A gente vive num mundo onde tudo é transação, até o que é mais íntimo. E a ideia de poder "armazenar" ou até mesmo "alugar" uma alma soou, para ele, como a solução perfeita para dar um tempo da própria cabeça. O filme é uma comédia dramática bem inusitada, que te faz rir de nervoso e pensar um pouco sobre o que, de fato, te faz ser quem você é.
Tudo Começa com um Esgotamento: Dados Essenciais
O filme Almas à Venda (título original: Cold Souls) não é uma superprodução de Hollywood, e é justamente aí que mora o charme dele. A pegada é mais indie, mais introspectiva, mas sem perder o lado divertido e meio absurdo da situação.
Lançamento: O filme estreou em 2009, chegando ao Brasil um pouco depois (a data de estreia por aqui é 09/07/2010).
Direção e Roteiro: O mérito da ideia e da execução vai para Sophie Barthes. Ela conseguiu equilibrar a ficção científica da premissa com um drama bem humano, com um toque de ironia.
Atores Principais: O elenco é enxuto, mas de peso: Paul Giamatti (como ele mesmo, de forma ficcional), Emily Watson (como Claire Giamatti, a esposa) e Dina Korzun (como Nina).
Nova York a São Petersburgo: Onde a Trama se Desenrola
A história é ambientada em duas metades do mundo, o que já dá um bom tempero à narrativa.
A jornada do nosso Paul Giamatti fictício começa em Nova York, no meio de uma crise de identidade e de carreira. É lá que ele encontra uma empresa que oferece o serviço de extração e armazenamento de almas. A promessa era simples: tirar o peso do excesso de "alma" para conseguir se concentrar na peça que ele estava ensaiando, o clássico "Tio Vânia" de Tchekhov.
Só que, como nada na vida é simples, a trama escala de forma inesperada. A busca pela alma, que se perde em um esquema de mercado negro, leva o ator para São Petersburgo, na Rússia. A cidade gelada e misteriosa serve de cenário para a parte mais noir e de "busca" do filme, contrastando com a Nova York neurótica. É uma sacada interessante que a diretora usou para contrastar o existencialismo ocidental com o pragmatismo da máfia russa de almas.
Pontuação, Música e Reconhecimento: A Ficha Técnica
Quando se trata de filmes que mexem com conceitos complexos, a recepção pode ser variada. Almas à Venda tem uma recepção geralmente positiva, especialmente por parte da crítica especializada, que valoriza a originalidade da premissa.
Nota IMDb: O filme tem uma nota razoável de 6.3 no IMDb (na data desta publicação), o que indica que, embora não seja um blockbuster, agrada quem busca algo diferente.
Premiações e Festivais: O reconhecimento veio de mostras importantes, provando a qualidade artística da obra. Foi exibido no Sundance Film Festival (2009), um termômetro para filmes independentes, e teve nomeações no Independent Spirit Awards (2010), incluindo "Melhor Atriz Coadjuvante" para Dina Korzun. Também marcou presença na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (2009).
Trilha Sonora: A música é discreta, mas pontual, ajudando a criar a atmosfera melancólica e levemente surreal. A canção principal usada no soundtrack é “Potsilunok” (“The Kiss”), da banda de rock ucraniana Mertvyj Piven.
Curiosidades: A Alma do Filme Está nos Detalhes
Um ponto alto, e que a galera comenta bastante, é o uso do próprio ator Paul Giamatti interpretando a si mesmo. Essa metalinguagem cria um terreno fértil para a comédia e a reflexão, já que o Paul da ficção está no meio de uma crise existencial (e sem alma) enquanto o Paul da vida real entrega uma atuação de primeira.
Outra curiosidade que prova a inteligência da roteirista é a forma como a alma é tratada: como um objeto físico, algo que pode ser congelado, classificado e até roubado. Essa abordagem transforma algo metafísico em algo absurdamente burocrático, que é, no fundo, a grande ironia e a crítica do filme à sociedade moderna.
A trama, no fim das contas, é uma busca desenfreada, não só pela alma roubada (que é do tamanho de um grão de bico!), mas pela essência de quem ele é. E a gente acompanha essa saga com um certo alívio por não ser a nossa alma no meio do tráfico russo, mas com a certeza de que a ansiedade e o esgotamento que ele sente são bem reais.
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