Cara, se você gosta de cinema que foge daquela fórmula batida de herói contra vilão, precisa dar uma chance para Os Falsários (Die Fälscher, no original). Assisti ao filme outro dia e o que mais me chamou a atenção foi como ele trata a sobrevivência de um jeito prático, quase frio. Não tem aquele melodrama pesado que a gente costuma ver em filmes de época. É uma história sobre competência técnica em uma situação limite.
Lançado em 2007, o filme é baseado em fatos reais e foca na Operação Bernhard, o maior plano de falsificação de dinheiro da história, arquitetado pelos nazistas. A ideia era inundar a economia britânica e americana com notas falsas de libra e dólar. Mas, em vez de focar na guerra lá fora, o diretor Stefan Ruzowitzky coloca a gente dentro das oficinas de falsificação do campo de concentração de Sachsenhausen.
O elenco e a direção técnica de Stefan Ruzowitzky
O que carrega o filme, na minha opinião, é o trabalho do ator Karl Markovics, que faz o protagonista Salomon "Sally" Sorowitsch. O cara é um falsário profissional, um artista do crime que se vê obrigado a trabalhar para os seus captores. A atuação dele é contida, o que combina muito com o clima de tensão constante. Ao lado dele, August Diehl e Devid Striesow entregam papéis sólidos que mostram os diferentes lados da moralidade naquele ambiente.
A direção do Ruzowitzky é muito direta. Ele não perde tempo tentando te fazer chorar; ele te mostra o processo técnico da falsificação e a pressão psicológica de quem sabe que, se a nota não ficar perfeita, o fim é certo. É um filme de 98 minutos que passa voando porque o ritmo é muito bem amarrado.
Trilha sonora e as locações de filmagem
Um detalhe que me pegou de surpresa foi a trilha sonora. Em vez de uma orquestra épica, o filme usa muito a gaita, tocada pelo mestre argentino Hugo Díaz. Esse som dá um tom solitário e meio rústico para as cenas, algo que destoa do ambiente industrial da gráfica, mas que funciona perfeitamente.
Sobre os bastidores, as filmagens rolaram principalmente nos estúdios Babelsberg, na Alemanha, e em locações em Monte Carlo. Eles conseguiram recriar aquela atmosfera cinzenta e claustrofóbica dos alojamentos e das oficinas de um jeito bem realista, sem parecer cenário de teatro.
O reconhecimento e a nota no IMDb
Se você é daqueles que olha as métricas antes de dar o play, o filme tem um currículo pesado. Os Falsários levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008, o que não é pouca coisa. No IMDb, ele mantém uma nota sólida de 8.0, refletindo o respeito que conquistou tanto com a crítica quanto com o público geral.
É o tipo de produção que não precisa de explosões ou efeitos especiais caros para te prender no sofá. O roteiro, adaptado do livro de Adolf Burger (que viveu a história real), é o que realmente brilha aqui.
Curiosidades que dão um nó na cabeça
O que mais me impressionou quando fui pesquisar depois de ver o filme foram os fatos reais por trás da produção:
Notas perfeitas: As libras falsificadas pela equipe real eram tão boas que o Banco da Inglaterra teve que mudar o design das notas após a guerra.
O verdadeiro Adolf Burger: O personagem de August Diehl foi baseado em um sobrevivente real que ajudou a escrever o roteiro e esteve presente no set para garantir a precisão dos detalhes técnicos.
Produção austro-alemã: Foi a primeira vez que um filme austríaco venceu o Oscar da categoria.
No fim das contas, Os Falsários é um filme sobre escolhas difíceis e sobre o valor do talento humano, mesmo nas piores condições possíveis. É cinema de primeira qualidade, sem frescura.
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