Se você gosta de cinema, provavelmente já ouviu falar de M, o Vampiro de Düsseldorf. Mas se você, assim como eu, prefere ir direto ao ponto e entender por que um filme de 1931 ainda é considerado uma das maiores obras de suspense da história, senta aí que eu vou te explicar.
Eu assisti a esse filme buscando entender as raízes do gênero policial. O que encontrei foi uma aula de direção e uma atmosfera de tensão que muitos diretores modernos não conseguem replicar nem com milhões de dólares em efeitos especiais.
O impacto de M - Eine Stadt sucht einen Mörder no cinema
Lançado originalmente em 11 de maio de 1931, o título original é M – Eine Stadt sucht einen Mörder (M – Uma Cidade Procura um Assassino). O filme foi a primeira obra sonora do lendário diretor Fritz Lang, e ele não brincou em serviço.
Diferente do que o título em português sugere, não espere por seres sobrenaturais ou dentes afiados. O "Vampiro" aqui é uma referência a um criminoso real que aterrorizou a Alemanha. A história foca na caçada humana a um assassino de crianças que está deixando a polícia e o próprio submundo do crime em desespero. É um jogo de gato e rato onde a moralidade é colocada à prova.
A genialidade de Fritz Lang e o elenco de peso
Fritz Lang já era um gigante por causa de Metrópolis, mas em M, ele provou que sabia usar o som como ninguém. O elenco é liderado por Peter Lorre, que entrega uma atuação visceral como Hans Beckert. Lorre tem aquele olhar expressivo que te deixa desconfortável desde o primeiro frame.
Além dele, temos Otto Wernicke como o Inspetor Karl Lohmann (personagem que Lang usaria novamente depois) e Gustaf Gründgens vivendo o líder dos criminosos. A dinâmica entre a polícia "oficial" e os criminosos que decidem caçar o assassino por conta própria — porque a vigilância policial está atrapalhando os negócios deles — é um dos pontos altos do roteiro.
Trilha sonora, locações e curiosidades técnicas
Aqui está o que eu achei mais impressionante: o filme quase não tem trilha sonora. Em vez de usar músicas orquestrais para ditar o medo, Lang usa o silêncio. O único som marcante é o assobio do assassino, que interpreta um trecho de "In the Hall of the Mountain King", de Edvard Grieg. Esse recurso foi um dos primeiros "leitmotivs" sonoros do cinema — quando um som identifica um personagem antes mesmo dele aparecer.
Sobre os detalhes técnicos e curiosidades:
Locações: O filme foi rodado nos estúdios Staaken, em Berlim, onde foram construídos sets impressionantes que simulavam as ruas escuras da cidade.
Nota IMDb: Atualmente, o filme sustenta uma impressionante nota de 8.3/10, figurando na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos.
Premiações: Na época, não tínhamos o sistema de premiações de hoje, mas o National Board of Review o reconheceu como um dos melhores filmes estrangeiros.
Curiosidade: Peter Lorre não sabia assobiar! O assobio que ouvimos no filme foi gravado pelo próprio diretor, Fritz Lang.
Por que você deve assistir a este clássico hoje?
Para fechar o raciocínio, M, o Vampiro de Düsseldorf não é apenas um filme "velho". É um thriller psicológico que discute justiça vigilante, doenças mentais e a histeria coletiva de uma sociedade.
Se você quer ver onde o gênero serial killer começou de verdade, esse é o lugar. O ritmo é fluido, a fotografia em preto e branco usa as sombras de um jeito que parece pintura, e o final é um debate ético que vai te deixar pensando por dias. Sem spoilers, mas a cena final do tribunal é de dar nó no estômago pela crueza da realidade.
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