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01 março 2026

Paisagem Com Mão Invisível

 

Vi esse filme outro dia e, confesso, ele me deixou pensando por um bom tempo. Se você está esperando aquela velha história de ETs explodindo cidades, pode esquecer. Paisagem Com Mão Invisível (título original: Landscape with Invisible Hand) segue uma linha bem mais pé no chão — ou melhor, uma linha econômica e social que a gente raramente vê no gênero.

Vou te contar o que achei e o que você precisa saber sobre essa obra sem entregar nenhuma surpresa importante da trama.

Do que se trata Landscape with Invisible Hand?

A premissa é direta: uma raça alienígena chamada Vuvv chega à Terra. Mas eles não chegam atirando. Eles chegam com tecnologia e uma burocracia implacável que acaba com a economia global. Basicamente, os humanos viram a classe baixa de um império intergaláctico.

O filme foca em dois adolescentes, interpretados por Asante Blackk e Kylie Rogers, que decidem transmitir o namoro deles via "pay-per-view" para os alienígenas, já que os Vuvv são fascinados por emoções humanas (coisa que eles não sentem). O problema é que manter um romance de fachada para a audiência é um trabalho ingrato.

O diretor é o Cory Finley, o mesmo de Puro Sangue. Ele tem um estilo bem seco e focado na sátira, o que combina muito com essa pegada de "capitalismo alienígena". No elenco, ainda temos a Tiffany Haddish, que entrega uma atuação bem mais contida e interessante do que o habitual.

O time por trás da obra e os detalhes técnicos

Se você liga para números e recepção da crítica, o filme teve sua estreia oficial no Festival de Sundance em janeiro de 2023, chegando aos cinemas e plataformas digitais em agosto do mesmo ano. No IMDb, a nota gira em torno de 6.3, o que eu considero justo. É um filme "ame ou odeie" porque ele não entrega o que o público comum de ficção científica costuma buscar.

Aqui estão alguns dados técnicos para quem gosta de ir direto ao ponto:

  • Direção: Cory Finley.

  • Elenco Principal: Asante Blackk, Kylie Rogers e Tiffany Haddish.

  • Locações: Grande parte das filmagens aconteceu em Atlanta, Geórgia, que serviu bem para criar aquele clima de subúrbio americano decadente.

  • Premiações: O filme foi indicado ao Grande Prêmio do Júri em Sundance, o que já mostra que ele tem uma qualidade artística acima da média.

A trilha sonora e a estética visual

Um ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela foi composta por Michael Abels, o cara que trabalhou com Jordan Peele em Corra! e Nós. A música é estranha, usa instrumentos que lembram o som que os próprios alienígenas fazem — uma mistura de estalidos e sons sintéticos.

Visualmente, o filme não abusa de efeitos especiais grandiosos. Os Vuvv parecem mesas de café com quatro patas e sem rosto, o que é bizarro e fascinante ao mesmo tempo. A fotografia foca muito nas pinturas do protagonista, que dão o nome ao filme (Landscape), e servem como uma crônica da resistência humana diante da ocupação.

Curiosidades e por que vale o seu tempo

Para fechar o papo, separei algumas curiosidades que tornam a experiência de assistir mais rica:

  1. Base Literária: O filme é baseado no livro homônimo de M.T. Anderson, um autor conhecido por sátiras sociais ácidas.

  2. Sátira ao Trabalho: O filme é, na verdade, uma grande crítica à "gig economy" (esses trabalhos de aplicativo e redes sociais) e como a gente transforma nossa vida íntima em produto.

  3. Design dos ETs: O visual dos Vuvv foi pensado para ser o menos antropomórfico possível, fugindo do clichê do "homenzinho cinza".

Se você curte uma ficção científica que te faz questionar como a sociedade funciona e não se importa com um ritmo mais pausado e cínico, vale o play. É um filme inteligente, sem ser pretensioso demais.



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