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18 fevereiro 2026

Até os Ossos

 

Vi Até os Ossos faz pouco tempo e, olha, o filme gruda na cabeça de um jeito que poucos fazem hoje em dia. Não é só mais uma história de terror ou um romance adolescente qualquer. É um road movie visceral, seco e que não pede desculpas pelo que apresenta. Se você está buscando algo fora da curva no streaming ou no cinema, vale entender o que faz essa obra ser tão comentada.

A direção de Luca Guadagnino e o peso do elenco

O título original é Bones and All e a direção ficou nas mãos do italiano Luca Guadagnino. Se você já viu Me Chame Pelo Seu Nome, sabe que o cara tem um olho clínico para captar a tensão e a beleza em coisas simples. Aqui, ele repete a parceria com Timothée Chalamet, que interpreta o Lee. Ao lado dele, Taylor Russell entrega uma atuação absurda como Maren.

O filme foi lançado oficialmente no final de 2022 e conta a história de dois jovens que vivem à margem da sociedade. Eles têm uma condição, digamos, peculiar, que os obriga a viver escondidos. O que me chamou a atenção foi como o roteiro trata o isolamento. O Mark Rylance também está no elenco e, como de costume, entrega um personagem que é ao mesmo tempo bizarro e magnético.

Trilha sonora e o visual do interior dos EUA

Um dos pontos altos aqui é a ambientação. As locações de filmagem passaram por Ohio, Nebraska e Indiana. É aquele visual de "América profunda", com estradas desertas, postos de gasolina abandonados e uma sensação constante de que o tempo parou nos anos 80. Isso ajuda muito a criar o clima de solidão que o filme pede.

A trilha sonora é outro show à parte. Foi composta por Trent Reznor e Atticus Ross, a dupla do Nine Inch Nails. Eles deixaram de lado os sintetizadores pesados e apostaram em algo mais acústico, com violões melancólicos que casam perfeitamente com a poeira das estradas. É o tipo de música que você ouve e sente o peso da jornada dos personagens.

Números, notas e o que o filme levou para casa

Se você é do tipo que olha as estatísticas antes de dar o play, a nota no IMDb costuma girar em torno de 6.8 a 7.0, o que é bem sólido para um filme que divide opiniões pela sua temática forte. Mas onde ele brilhou mesmo foi no circuito de festivais.

Em termos de premiações, o filme fez bonito no Festival de Cinema de Veneza. O Luca Guadagnino levou o Leão de Prata de Melhor Diretor e a Taylor Russell ganhou o prêmio Marcello Mastroianni de Melhor Atriz Jovem. Não é pouca coisa. A crítica especializada elogiou muito a coragem da produção em misturar gêneros tão distintos sem perder a mão.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Para quem gosta de bastidores, tem uns detalhes interessantes sobre a produção. Por exemplo, aquela "carne" que os personagens aparecem consumindo em algumas cenas era, na verdade, uma mistura de brownie com calda de cereja e outros doces. Visualmente parece real, mas o elenco garante que o gosto não era dos piores.

Outro ponto é o visual do Timothée Chalamet. Aquele cabelo avermelhado e as roupas puídas foram pensados para dar um ar de "punk de estrada". Além disso, o filme é baseado em um livro homônimo da Camille DeAngelis, mas o diretor tomou várias liberdades criativas para deixar a narrativa mais crua e direta.

No fim das contas, Até os Ossos é um filme sobre pertencimento. É bruto, é direto e não tenta ser bonitinho. Se você gosta de cinema que te faz pensar e que foge do óbvio, é uma escolha certeira.



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