Eu estava navegando por esses dias e resolvi rever Pequena Grande Vida (o título original é Downsizing). É um filme de 2017 que muita gente deixou passar batido na época, mas a premissa é daquelas que te faz parar pra pensar por um bom tempo. Imagina que cientistas descobrem uma forma de encolher seres humanos para meros 12 centímetros de altura. O objetivo oficial? Salvar o planeta do colapso ambiental consumindo menos. O objetivo real para a maioria? Fazer o dinheiro render mais e viver uma vida de luxo em comunidades planejadas.
A ideia por trás de Downsizing
O filme é dirigido pelo Alexander Payne, um cara que sabe muito bem como falar sobre crises existenciais de um jeito prático. Ele coloca o Matt Damon no papel de Paul Safranek, um cara comum, meio frustrado, que decide passar pelo processo de encolhimento para ter a vida que nunca conseguiu pagar no tamanho normal. O interessante aqui é que o filme começa como uma ficção científica curiosa, mas logo vira uma sátira social ácida.
Eu gosto de como a narrativa não tenta te vender um sonho. Ela mostra que, mesmo diminuindo de tamanho, os problemas humanos continuam sendo gigantes. No IMDb, a nota dele hoje está na casa dos 5.8. É uma avaliação que divide opiniões, muito porque as pessoas esperavam uma comédia escrachada e receberam algo bem mais reflexivo e, às vezes, até um pouco desconfortável.
Quem faz o filme acontecer: Elenco e Direção
O elenco é pesado. Além do Matt Damon, temos a Kristen Wiig e o sempre excelente Christoph Waltz, que faz um vizinho aproveitador e muito carismático. Mas, pra ser sincero, quem rouba a cena mesmo é a Hong Chau. Ela interpreta uma ativista vietnamita que traz o Paul (e a gente) de volta para a realidade. A atuação dela foi tão boa que ela recebeu indicações ao Globo de Ouro e ao SAG Awards na época como Melhor Atriz Coadjuvante.
O Alexander Payne, que já levou Oscars por Sideways e Os Descendentes, mantém o estilo dele de focar no homem médio. Não espere heróis aqui. O que você vai encontrar são pessoas tentando lidar com as consequências de suas escolhas em um mundo que está mudando rápido demais.
Bastidores, trilha e onde tudo foi gravado
Se você gosta de saber onde as coisas foram filmadas, o filme tem uns visuais bem interessantes. Boa parte das gravações rolou em Toronto, no Canadá, mas as cenas que mostram a natureza imponente (especialmente no final do filme) foram feitas nas Ilhas Lofoten, na Noruega. Aquele contraste do tamanho humano com a imensidão dos fiordes noruegueses ajuda muito a passar a mensagem da obra.
A trilha sonora ficou por conta do Rolfe Kent. É uma música que acompanha bem o ritmo do filme, sem tentar ditar o que você deve sentir, o que eu aprecio. Ela é discreta, mas eficiente, pontuando os momentos de descoberta e as decepções do protagonista com o "mundo pequeno".
Curiosidades que talvez você não saiba
Tem alguns detalhes técnicos e escolhas de produção que achei bem curiosos quando dei uma pesquisada mais a fundo:
Preparação do cenário: Para dar a sensação de escala, a produção usou objetos gigantes reais em vez de confiar apenas em efeitos digitais. Isso dá uma textura muito mais real para as cenas onde o Paul interage com coisas do "mundo grande".
O tempo de gestação: O diretor Alexander Payne e o roteirista Jim Taylor levaram quase dez anos para tirar o projeto do papel.
Premiações: Além do reconhecimento da Hong Chau, o filme foi escolhido pelo National Board of Review como um dos dez melhores filmes do ano em 2017.
Sátira política: O filme faz várias críticas veladas à imigração e ao sistema de classes, mostrando que as "muralhas" das cidades pequenas servem para mais do que apenas proteger contra insetos.
No fim das contas, Pequena Grande Vida é um filme sobre perspectiva. Ele não entrega respostas fáceis e foge do clichê de Hollywood. Se você está procurando algo que vá além do entretenimento passageiro e que gere uma boa conversa depois dos créditos, vale o play.
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