Sabe aquele tipo de filme que você coloca sem esperar um blockbuster de ação, mas acaba preso pelo visual e pelo clima estranho? Foi o que aconteceu quando decidi assistir Sem Controle, que lá fora chamam de Loveland (ou Expired em alguns países). É uma ficção científica com uma pegada neo-noir, bem pé no chão, que foge daquela correria frenética de Hollywood.
Vou te contar o que achei e o que você precisa saber antes de dar o play, sem estragar a experiência com spoilers.
Por que resolvi assistir Sem Controle (Loveland)
Eu sempre curti histórias que usam o futuro para falar de sentimentos travados. O filme, lançado oficialmente em 18 de março de 2022, me pegou primeiro pelo visual. A trama foca no Jack, um assassino profissional que vive em uma Hong Kong futurista e começa a perceber que seu corpo está falhando de um jeito bizarro.
O título original, Loveland, faz muito mais sentido quando você entende que o conflito dele piora justamente quando ele se envolve com uma cantora de boate. O diretor é o Ivan Sen, um cara que tem um estilo bem autoral. Ele não só dirigiu, mas também escreveu, produziu e cuidou da fotografia. Dá para sentir que o filme é a visão exata que ele queria passar: algo frio, seco e esteticamente impecável.
O visual de Hong Kong e a direção de Ivan Sen
Se tem uma coisa que não dá para colocar defeito é onde esse filme foi gravado. As locações de filmagem se dividem entre a densidade urbana de Hong Kong e o suporte técnico na Gold Coast, na Austrália. Essa mistura criou um ambiente que parece sufocante e tecnológico ao mesmo tempo.
A narrativa é lenta. Se você gosta de filmes que "cozinham" o espectador, vai curtir. O Ivan Sen tem essa característica de deixar a câmera parada, observando o silêncio dos personagens. Não espere explosões a cada dez minutos. O foco aqui é o declínio físico e mental do Jack enquanto ele tenta entender o que está acontecendo com ele.
O elenco e a trama sem entregar o ouro
Quem segura o filme é o Ryan Kwanten (o Jack). Ele entrega um personagem bem contido, quase sem expressão, o que combina com a vida de um matador. Ao lado dele, temos a Jillian Nguyen, que faz a April, a peça que desestabiliza a rotina dele.
Mas, para mim, o ponto alto é ver o Hugo Weaving em cena. O eterno Agent Smith de Matrix aqui faz o Dr. Bergman. Ele é o cara que traz as explicações mais densas e dá um peso dramático maior para a história. O elenco é enxuto, o que ajuda a manter o foco na solidão de cada um deles naquele mundo hiperconectado, mas vazio de afeto.
Notas, trilha sonora e curiosidades de bastidores
Se você for pelo IMDb, a nota está na casa dos 4.5. Eu sei, parece baixo, mas é um filme divisivo. Muita gente espera uma ação desenfreada e recebe um drama contemplativo. Sobre premiações, o filme circulou bem em festivais de gênero e ficção científica, sendo indicado em categorias técnicas de festivais australianos (AACTA Awards) pela fotografia e design de produção.
Aqui vão alguns pontos interessantes para você notar:
Trilha Sonora: A música também é assinada pelo próprio Ivan Sen. É minimalista, eletrônica e ajuda a criar aquele clima de isolamento.
Curiosidade: O diretor Ivan Sen é conhecido por fazer quase tudo sozinho em seus filmes. Ele é o que chamamos de "exército de um homem só" no cinema independente.
Temática: O filme explora muito a ideia de como a tecnologia pode esterilizar as relações humanas, um tema bem atual para 2026.
No fim das contas, Sem Controle é uma experiência visual. É o tipo de filme para ver à noite, com luz baixa, prestando atenção nos detalhes da cidade e no silêncio dos atores. Se você busca algo profundo e menos óbvio, vale o tempo.
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