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19 fevereiro 2026

Sem Controle

 

Sabe aquele tipo de filme que você coloca sem esperar um blockbuster de ação, mas acaba preso pelo visual e pelo clima estranho? Foi o que aconteceu quando decidi assistir Sem Controle, que lá fora chamam de Loveland (ou Expired em alguns países). É uma ficção científica com uma pegada neo-noir, bem pé no chão, que foge daquela correria frenética de Hollywood.

Vou te contar o que achei e o que você precisa saber antes de dar o play, sem estragar a experiência com spoilers.

Por que resolvi assistir Sem Controle (Loveland)

Eu sempre curti histórias que usam o futuro para falar de sentimentos travados. O filme, lançado oficialmente em 18 de março de 2022, me pegou primeiro pelo visual. A trama foca no Jack, um assassino profissional que vive em uma Hong Kong futurista e começa a perceber que seu corpo está falhando de um jeito bizarro.

O título original, Loveland, faz muito mais sentido quando você entende que o conflito dele piora justamente quando ele se envolve com uma cantora de boate. O diretor é o Ivan Sen, um cara que tem um estilo bem autoral. Ele não só dirigiu, mas também escreveu, produziu e cuidou da fotografia. Dá para sentir que o filme é a visão exata que ele queria passar: algo frio, seco e esteticamente impecável.

O visual de Hong Kong e a direção de Ivan Sen

Se tem uma coisa que não dá para colocar defeito é onde esse filme foi gravado. As locações de filmagem se dividem entre a densidade urbana de Hong Kong e o suporte técnico na Gold Coast, na Austrália. Essa mistura criou um ambiente que parece sufocante e tecnológico ao mesmo tempo.

A narrativa é lenta. Se você gosta de filmes que "cozinham" o espectador, vai curtir. O Ivan Sen tem essa característica de deixar a câmera parada, observando o silêncio dos personagens. Não espere explosões a cada dez minutos. O foco aqui é o declínio físico e mental do Jack enquanto ele tenta entender o que está acontecendo com ele.

O elenco e a trama sem entregar o ouro

Quem segura o filme é o Ryan Kwanten (o Jack). Ele entrega um personagem bem contido, quase sem expressão, o que combina com a vida de um matador. Ao lado dele, temos a Jillian Nguyen, que faz a April, a peça que desestabiliza a rotina dele.

Mas, para mim, o ponto alto é ver o Hugo Weaving em cena. O eterno Agent Smith de Matrix aqui faz o Dr. Bergman. Ele é o cara que traz as explicações mais densas e dá um peso dramático maior para a história. O elenco é enxuto, o que ajuda a manter o foco na solidão de cada um deles naquele mundo hiperconectado, mas vazio de afeto.

Notas, trilha sonora e curiosidades de bastidores

Se você for pelo IMDb, a nota está na casa dos 4.5. Eu sei, parece baixo, mas é um filme divisivo. Muita gente espera uma ação desenfreada e recebe um drama contemplativo. Sobre premiações, o filme circulou bem em festivais de gênero e ficção científica, sendo indicado em categorias técnicas de festivais australianos (AACTA Awards) pela fotografia e design de produção.

Aqui vão alguns pontos interessantes para você notar:

  • Trilha Sonora: A música também é assinada pelo próprio Ivan Sen. É minimalista, eletrônica e ajuda a criar aquele clima de isolamento.

  • Curiosidade: O diretor Ivan Sen é conhecido por fazer quase tudo sozinho em seus filmes. Ele é o que chamamos de "exército de um homem só" no cinema independente.

  • Temática: O filme explora muito a ideia de como a tecnologia pode esterilizar as relações humanas, um tema bem atual para 2026.

No fim das contas, Sem Controle é uma experiência visual. É o tipo de filme para ver à noite, com luz baixa, prestando atenção nos detalhes da cidade e no silêncio dos atores. Se você busca algo profundo e menos óbvio, vale o tempo.



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