Se você curte um cinema que te faz fritar o cérebro e olhar para o lado no escuro, o filme Nós (título original: Us) é parada obrigatória. Eu lembro bem do barulho que esse filme fez quando saiu. Depois do sucesso absurdo de Corra!, todo mundo queria saber se o diretor Jordan Peele ia conseguir manter o nível. E olha, o cara não só manteve, como entregou uma obra que é um soco no estômago, mas com muita classe.
Abaixo, vou te contar o que faz desse longa uma experiência tão bizarra e necessária, sem entregar nenhum spoiler que estrague a sua diversão.
O que esperar da história e do elenco de peso
A premissa parece simples, mas é aí que mora o perigo. A história acompanha a família Wilson, liderada por Adelaide (Lupita Nyong'o) e Gabe (Winston Duke), que decide passar uns dias de folga na praia. O clima é de total descontração até que, do nada, eles dão de cara com quatro figuras paradas na porta de casa. O detalhe bizarro é que essas pessoas são cópias exatas deles mesmos.
A Lupita Nyong'o aqui entrega uma atuação que beira a perfeição. Ela interpreta dois papéis completamente diferentes e consegue te deixar desconfortável só com o olhar. O Winston Duke faz o contraponto ideal como o pai brincalhão que tenta proteger a família, mas que visivelmente não faz ideia de como lidar com aquela situação surreal. Além deles, o filme conta com Elisabeth Moss e Tim Heidecker no elenco de apoio.
A mente por trás da obra e os detalhes técnicos
Lançado em março de 2019, o filme consolidou Jordan Peele como um dos grandes nomes do terror moderno. Ele não faz aquele susto gratuito, o famoso jump scare. O medo em Nós vem da atmosfera, do som e daquela sensação de que tem algo muito errado acontecendo embaixo dos nossos pés.
Na parte técnica, o filme não brinca em serviço. Atualmente, ele segura uma nota 6.8 no IMDb, o que eu considero até baixo para o impacto que ele causa. O longa foi indicado e venceu diversos prêmios, com destaque para a atuação da Lupita, que levou o prêmio de Melhor Atriz no Critics Choice e no SAG Awards. É um filme que ganha no detalhe, na direção de arte e na fotografia que usa muito bem as sombras.
Sucesso de crítica, trilha sonora e premiações
Não tem como falar desse filme sem mencionar a trilha sonora. O compositor Michael Abels, que já tinha trabalhado com o Peele, fez um trabalho sinistro aqui. Ele pegou o clássico do hip hop I Got 5 on It, do grupo Luniz, e transformou em uma versão orquestrada que dá arrepios na espinha. A música vira quase um personagem da história.
Sobre o reconhecimento, além da recepção calorosa da crítica especializada, o filme faturou alto nas bilheterias mundiais. Ele mostra que o terror pode ser inteligente, ter camadas sociais e ainda assim ser um entretenimento de primeira. Se você gosta de procurar mensagens escondidas em cada cena, esse é o seu filme.
Curiosidades e os lugares por onde passaram as câmeras
As filmagens rolaram principalmente na Califórnia, com foco total em Santa Cruz. Se você já foi ou viu fotos daquele calçadão icônico (o Boardwalk), vai reconhecer o cenário na hora. Aquela praia e o parque de diversões ganham um ar bem mais sombrio sob a lente do diretor.
Para fechar, se liga em algumas curiosidades rápidas:
Influências: Jordan Peele deu uma lista de dez filmes de terror para a Lupita Nyong'o assistir antes das gravações, incluindo clássicos como O Iluminado e Cores do Destino.
A voz: A voz assustadora que a personagem Red faz foi inspirada em uma condição médica real chamada disfonia espasmódica.
Referências: O filme é cheio de menções à campanha Hands Across America, de 1986, e passagens bíblicas, como Jeremias 11:11. Nada ali é por acaso.
Se você ainda não viu, reserve uma noite, apague as luzes e tente não se olhar muito no espelho depois. Vale cada minuto.
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