Se você gosta de cinema de ação de verdade, daquele que não perde tempo com conversa fiada, sabe do que estou falando. Stallone Cobra (título original: Cobra) é um marco. Eu revi esse filme recentemente e a sensação é a mesma de décadas atrás: poucas palavras, muita atitude e uma boa dose de pólvora.
Lançado em 23 de maio de 1986, o filme trouxe Sylvester Stallone no auge, encarnando Marion Cobretti, um tira que faz o trabalho sujo que ninguém mais quer fazer. O diretor George P. Cosmatos — o mesmo de Rambo II — entrega aqui uma estética urbana pesada, que define bem o que era o gênero nos anos 80.
O Elenco e a Direção de Stallone Cobra
Para mim, o que segura o filme, além da presença física do Stallone, é o elenco de apoio. Temos a Brigitte Nielsen como Ingrid, a testemunha que vira o alvo da seita de assassinos, e o veterano Reni Santoni interpretando Gonzales, o parceiro de Cobretti.
A direção do Cosmatos é direta. Ele não tenta inventar a roda; ele foca no estilo. O visual de Cobretti — óculos escuros de aviador, palito de dente na boca e a icônica pistola com a estampa de cobra no cabo — virou um símbolo. É o tipo de filme que se sustenta na personalidade do protagonista.
A Atmosfera: Locações e Trilha Sonora
O filme se passa em uma Los Angeles suja e perigosa. As locações de filmagem capturam bem aquele clima de becos escuros e galpões industriais da Califórnia. Não é a LA dos cartões-postais, é a LA do crime organizado.
E o que falar da trilha sonora? Se você fechar os olhos, as músicas te levam direto para 1986. A faixa "Voice of America's Sons", do John Cafferty, e "Feel the Heat", de Jean Beauvoir, ditam o ritmo das perseguições. É um som sintetizado, pulsante, que combina perfeitamente com o ronco do motor do Mercury Monterey 1950 que o Stallone dirige.
A Recepção: Notas, IMDb e Premiações
Se formos olhar para a crítica técnica, o filme divide opiniões, mas para quem é fã, isso pouco importa. Atualmente, o longa mantém uma nota 5.8 no IMDb. Pode parecer baixa para alguns, mas no mundo dos filmes de ação cult, isso é quase um selo de autenticidade.
Sobre as premiações, o filme não foi exatamente o queridinho do Oscar. Na verdade, ele recebeu algumas indicações ao Framboesa de Ouro na época (Pior Filme, Ator e Atriz). Mas o tempo é o melhor juiz: Cobra se tornou um clássico cult que fatura em licenciamentos e reprises até hoje, provando que o público manda mais que a crítica especializada.
Curiosidades que Você Precisa Saber
Eu gosto de detalhes que dão cor à obra. Aqui vão alguns fatos que nem todo mundo nota:
O Carro: O Mercury Monterey 1950 que aparece no filme pertencia ao próprio Sylvester Stallone na vida real.
A Origem: O roteiro foi baseado no livro Fair Game, de Paula Gosling, mas o Stallone o modificou tanto que a história ficou quase irreconhecível.
Cortes Pesados: A versão original era muito mais violenta e longa. Para conseguir uma classificação indicativa menor e mais sessões nos cinemas, o estúdio cortou boa parte das cenas de ação mais pesadas.
Stallone Cobra é um filme sobre um homem que não se curva ao sistema para fazer o que é certo. É seco, é bruto e é cinema de entretenimento puro. Se você busca uma narrativa masculina, sem enrolação e com um protagonista que resolve os problemas na base do "chumbo grosso", este é o seu filme.
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