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04 janeiro 2026

Oldboy

 

Oldboy: Por que este clássico da vingança é obrigatório?

Eu vejo muita gente discutindo cinema asiático hoje em dia, principalmente depois do sucesso de Parasita. Mas, se você quer entender onde a coisa ficou séria de verdade, precisa voltar um pouco no tempo e assistir Oldboy. Não estou falando do remake americano de 2013 — esqueça que isso existe. Estou falando do original sul-coreano de 2003.

Assisti a esse filme novamente na semana passada e a impressão continua a mesma: é uma obra crua, direta e tecnicamente impecável. Não é um filme para quem tem estômago fraco, mas se você curte um thriller psicológico bem construído, sem aquela enrolação melodramática, esse texto é para você. Vou te passar a visão geral, sem estragar a surpresa do final.


A Ficha Técnica que impõe respeito

Antes de entrar na história, vamos aos fatos. Oldboy não é apenas um filme qualquer; ele faz parte da famosa "Trilogia da Vingança" do diretor Park Chan-wook. O cara sabe o que faz com uma câmera na mão.

O título original é Oldeuboi. Lançado em 2003, o longa envelheceu muito bem. A nota no IMDb reflete a qualidade: ostenta um sólido 8.4, o que coloca o filme entre os melhores da história no site.

No elenco, temos uma atuação monstro do Choi Min-sik (o protagonista Oh Dae-su). O cara carrega o filme nas costas. O antagonista é vivido por Yoo Ji-tae, que entrega uma frieza calculista necessária para o papel.

O Enredo: 15 anos num quarto fechado

A premissa é simples e aterrorizante. Imagine um cara comum, Oh Dae-su. Ele é sequestrado do nada, num dia chuvoso, e trancado em um quarto de hotel barato. Não tem explicação, não tem resgate, não tem contato com o mundo exterior, apenas uma TV.

Ele passa 15 anos nesse cativeiro. O tempo todo treinando o corpo e a mente, tentando entender quem o prendeu e por quê.

Quando ele é finalmente solto — de forma tão misteriosa quanto foi preso —, ele tem apenas um objetivo: encontrar o responsável e se vingar. O filme não perde tempo com choradeira. É uma caçada. O protagonista se torna uma máquina de bater, focada em descobrir a verdade. A narrativa flui bem porque você sabe tanto quanto ele: quase nada. Você vai montando o quebra-cabeça junto com o personagem.

Estilo, Trilha Sonora e Locações

O visual de Oldboy é sujo e elegante ao mesmo tempo. As filmagens aconteceram majoritariamente na Coreia do Sul, passando por locações em Seul e Busan, além de algumas cenas na Nova Zelândia. Mas o que pega mesmo são os ambientes claustrofóbicos e as ruas noturnas iluminadas por neon.

A trilha sonora merece destaque. Diferente do que se espera de um filme de ação comum, aqui temos muita música clássica e valsas (compostas por Jo Yeong-wook). Esse contraste entre a violência gráfica na tela e a música erudita no fundo cria uma atmosfera única. É irônico e brutal.

E claro, não dá para falar da direção sem citar a famosa cena do corredor. É um plano-sequência (sem cortes aparentes) onde o protagonista enfrenta uma gangue inteira usando apenas um martelo. Sem truques de câmera exagerados, apenas coreografia e exaustão física. É uma das melhores cenas de luta do cinema, ponto.

Curiosidades de bastidores

Se você acha que o que vê na tela é intenso, os bastidores foram piores. O comprometimento do ator Choi Min-sik foi total. Aqui vão algumas curiosidades que mostram o nível da produção:

  1. O Polvo: Sabe aquela cena em que ele come um polvo vivo no restaurante de sushi? Aquilo foi real. O ator é budista e vegetariano, mas comeu quatro polvos vivos para conseguir o take perfeito. Ele rezava por cada animal após as filmagens.

  2. O Treino: Para fazer o papel, Choi Min-sik perdeu cerca de 10 quilos e treinou boxe intensamente. Ele fez a maioria das cenas sem dublê.

  3. Tarantino: O filme impressionou tanto que Quentin Tarantino, presidente do júri em Cannes na época, lutou para que o filme ganhasse a Palma de Ouro. Acabou levando o Grande Prêmio do Júri.

Resumindo: Oldboy é um soco no estômago necessário. Se você gosta de cinema que te desafia e não te trata como criança, vá assistir.



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