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16 janeiro 2026

Babel

 

Se você curte cinema que foge do óbvio, já deve ter esbarrado no nome Babel. Eu assisti a esse filme e, mesmo anos após o lançamento, a produção continua entregando um soco no estômago sem precisar de efeitos especiais mirabolantes. É cinema puro, focado em roteiro e montagem.

Neste texto, vou direto ao ponto sobre o que faz desse longa um marco dos anos 2000, sem enrolação.

O que é o filme Babel e quem está por trás dele?

Lançado oficialmente em 2006, o filme encerra a chamada "Trilogia da Morte" do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu (que depois levou Oscars por Birdman e O Regresso). O título original é o mesmo aqui no Brasil: Babel.

O elenco é pesado. Tem Brad Pitt e Cate Blanchett no núcleo americano, mas o brilho também divide espaço com Gael García Bernal, Rinko Kikuchi e Adriana Barraza. A nota no IMDb costuma flutuar em 7.5, o que é uma avaliação bem sólida para um drama denso e não linear.

A trama gira em torno de um incidente trágico no deserto de Marrocos que acaba conectando quatro grupos de pessoas em três continentes diferentes. É um quebra-cabeça que exige atenção, mas que recompensa quem fica até o final.

Locações de filmagem e a escala global da obra

Uma das coisas que mais me impressiona em Babel é o realismo. Iñárritu não usou fundo verde para simular os lugares. O filme foi rodado em locações reais que dão o tom de cada núcleo:

  • Marrocos: As montanhas áridas e as vilas remotas.

  • México: A fronteira e o calor visual do deserto.

  • Japão: O caos urbano e as luzes de Tóquio.

  • EUA (San Diego): O contraste da classe média alta americana.

Essa diversidade de cenários não é apenas estética; ela serve para mostrar como o mundo é conectado, mesmo quando as pessoas não conseguem se entender. É um filme sobre a falha na comunicação, daí o nome bíblico.

Trilha sonora e premiações: O peso do reconhecimento

Não dá para falar de Babel sem mencionar a música. A trilha sonora é assinada por Gustavo Santaolalla. O cara é um gênio das cordas (ele também fez a trilha do jogo e da série The Last of Us). A música é minimalista, usa muito o ronroco e o violão, criando uma tensão constante que não te deixa relaxar.

Por conta dessa qualidade técnica e narrativa, o filme limpou o chão em várias premiações:

  • Oscar: Venceu na categoria de Melhor Trilha Sonora Original (merecidamente).

  • Globo de Ouro: Levou o prêmio de Melhor Filme de Drama.

  • Festival de Cannes: Iñárritu ganhou como Melhor Diretor.

Curiosidades que fazem a diferença

Sempre que revejo um clássico, gosto de saber o que rolou nos bastidores. Aqui vão alguns pontos que talvez você não saiba:

  1. Brad Pitt abriu mão de outro sucesso: Ele recusou o papel principal em Os Infiltrados (de Martin Scorsese) só para poder trabalhar com Iñárritu em Babel.

  2. Atores não profissionais: No núcleo do Marrocos e do México, muitos dos figurantes e personagens menores eram moradores locais que nunca tinham visto uma câmera profissional na frente.

  3. Rinko Kikuchi: A atriz japonesa que interpreta a personagem surda Chieko passou meses convivendo com a comunidade surda em Tóquio para entregar uma atuação impecável, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar.

Se você busca um filme que te faça pensar sobre como uma pequena ação de um lado do mundo pode destruir ou mudar a vida de alguém do outro lado, Babel é a escolha certa. É um filme seco, direto e muito bem montado.



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