Se você está procurando um soco no estômago em forma de cinema, chegou ao lugar certo. Eu assisti a Os Últimos Passos de um Homem (Dead Man Walking) e decidi colocar no papel por que esse filme, mesmo décadas depois, ainda é uma referência brutal sobre a natureza humana e o sistema judiciário.
Abaixo, conto um pouco da minha experiência com a obra, sem entregar o final, mas passando por todos os detalhes técnicos que fazem dele um clássico.
O encontro com o corredor da morte
Logo de cara, o filme me jogou em uma realidade desconfortável. A trama acompanha a Irmã Helen Prejean, uma freira que decide aceitar o pedido de ajuda de Matthew Poncelet, um condenado à morte. O que me chamou a atenção foi a falta de maniqueísmo. O cara não é um "coitadinho" injustiçado; ele é um homem arrogante, difícil de engolir e culpado por crimes terríveis.
A narrativa não tenta te convencer de que ele é inocente. O foco é outro: a dignidade humana e o peso da justiça. A direção de Tim Robbins é seca, direta e evita aquele drama barato de novela. Ele filma o corredor da morte como ele é: frio e burocrático.
Atuações que carregam o filme nas costas
Não dá para falar desse filme sem exaltar o elenco. Sean Penn entrega uma das melhores performances da carreira como Poncelet. Ele consegue transitar entre o desprezível e o vulnerável sem esforço. Já Susan Sarandon é o norte moral da história. Ela não é uma santa intocável, mas uma mulher tentando entender como exercer a compaixão em um ambiente de puro ódio.
Aqui estão os dados técnicos para quem gosta de números:
Título Original: Dead Man Walking
Data de Lançamento: 29 de dezembro de 1995 (EUA)
Diretor: Tim Robbins
Elenco Principal: Susan Sarandon, Sean Penn, Robert Prosky, Raymond J. Barry.
Nota IMDb: 7.5/10
Premiações e a trilha sonora de peso
O reconhecimento veio rápido. O filme não passou batido pelas grandes premiações de 1996. Susan Sarandon levou o Oscar de Melhor Atriz, uma vitória mais do que merecida. Sean Penn também foi indicado a Melhor Ator, e Tim Robbins à Melhor Direção.
Outro ponto que me pegou foi a trilha sonora. Nada de orquestras exageradas. A música tema foi composta por ninguém menos que Bruce Springsteen. A faixa principal, que carrega o nome do filme, dita o tom solitário da jornada de Poncelet. Além do "The Boss", a trilha conta com nomes como Johnny Cash e Patti Smith, o que traz uma pegada folk/rock bem crua.
Curiosidades e locações reais
Para quem curte os bastidores, o filme foi rodado em Nova Orleans e na Louisiana, inclusive dentro da famosa Prisão de Angola (Louisiana State Penitentiary). Isso traz uma camada de realismo que estúdios de Hollywood raramente conseguem replicar.
Algumas curiosidades rápidas:
História Real: O roteiro é baseado no livro autobiográfico da verdadeira Irmã Helen Prejean.
Preparação: Sean Penn passou muito tempo conversando com prisioneiros reais para pegar o sotaque e os trejeitos de quem vive atrás das grades.
Parentesco: Os filhos e a mãe de Susan Sarandon fazem pequenas participações no filme.
Vale a pena assistir hoje?
Sim. Se você gosta de um cinema que te faz pensar por dias, Os Últimos Passos de um Homem é essencial. Ele não te dá respostas prontas sobre pena de morte ou perdão; ele apenas te obriga a olhar para o rosto de quem está prestes a morrer e decidir o que você sente sobre isso. É um filme de poucas palavras e muita intensidade.
Nenhum comentário:
Postar um comentário