"Amour": O Filme que Me Fez Pensar na Velhice (e na Vida)
Lembro perfeitamente de quando ouvi falar pela primeira vez sobre Amour (Amor). Não sou o tipo de cara que chora fácil no cinema, e confesso que a ideia de ver um drama sobre a velhice não me animava muito. Mas, como sempre dou uma chance para filmes com boa reputação, resolvi conferir o trabalho de Michael Haneke. E, olha, não é um filme fácil, mas é impossível ficar indiferente.
O que me atraiu foi a forma crua e honesta como ele trata um tema universal: o amor na fase final da vida. Não espere clichês românticos; o filme é um soco no estômago, no melhor sentido da palavra. É um olhar direto e desapaixonado sobre a realidade, o que, para mim, é muito mais impactante do que qualquer melodrama.
Haneke, Trintignant e Huppert: Um Elenco de Peso
A data de lançamento oficial no Brasil foi em 2012, mas a estreia mundial aconteceu um pouco antes. O diretor, o austríaco Michael Haneke, conhecido por um estilo de cinema mais cerebral e menos sentimental, acertou em cheio. O título original é o mesmo em francês, Amour.
Os atores que carregam a trama são lendas: Jean-Louis Trintignant (como Georges) e Emmanuelle Riva (como Anne). A química entre eles é palpável, mostrando décadas de convivência em cada olhar e silêncio. Eles são o centro de tudo, e a atuação da Riva, em especial, é de arrepiar. Isabelle Huppert completa o trio central como Eva, a filha que lida com a situação de fora.
Para quem se importa com notas, a nota IMDb de Amour costuma ficar na casa dos 7.9 (é bom checar a nota mais recente, claro), o que mostra o reconhecimento da crítica e do público. Não é à toa que o filme colecionou troféus.
Premiações, Locações e a Ausência de Trilha Sonora
Se você está buscando um filme "premiado", pode parar por aqui. Amour (Amor) levou a Palma de Ouro no Festival de Cannes (a premiação máxima) e também o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Emmanuelle Riva ainda foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. É o tipo de filme que domina as premiações por onde passa.
Um detalhe que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela é praticamente inexistente. E é aí que mora a genialidade de Haneke. Ele faz isso de propósito. A falta de música "de fundo" intensifica o realismo e te força a prestar atenção nos sons do cotidiano: o ranger de uma cadeira, o toque de um piano, a respiração. É perturbador e brilhante.
Já as locações de filmagem são bem intimistas. Quase todo o filme se passa dentro de um único apartamento em Paris, na França, o que reforça a sensação de confinamento e a bolha em que o casal vive. A cidade é mostrada em poucos momentos, mas a ambientação parisiense de classe média alta é clara.
Curiosidades: A Perspectiva de Haneke
Uma das curiosidades mais interessantes que descobri é que Michael Haneke se inspirou em experiências pessoais para escrever o roteiro. Ele não é um diretor que inventa dramas vazios; ele te joga na cara a fragilidade da vida de forma direta.
Outra coisa que gosto no filme é a forma como ele lida com os detalhes. Sem dar spoilers, tem uma cena envolvendo um pombo que é sutil, mas diz muito sobre a impotência e a ordem natural das coisas. É um toque do diretor que te faz pensar.
No fim das contas, Amour não é um filme que você "curte"; é um filme que você vive. Não é para se emocionar de chorar, mas para sentir aquela reflexão profunda sobre o que realmente importa no final: o compromisso e o respeito. É um filme que fica com você muito tempo depois dos créditos subirem.
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