Sabe aquele tipo de filme que você começa a ver achando que vai ser uma biografia melosa e, no fim, percebe que é algo bem mais prático sobre como a gente lida com a própria cabeça? É exatamente o que senti assistindo Um Lindo Dia na Vizinhança (título original: A Beautiful Day in the Neighborhood).
Eu não sou muito fã de dramas que tentam te forçar a chorar a cada cinco minutos, mas esse aqui me pegou pelo tom pé no chão. O longa chegou aos cinemas brasileiros em 23 de janeiro de 2020 e, desde então, virou uma daquelas recomendações seguras para quem quer um cinema de qualidade sem muita firula.
Quem está por trás dessa história?
A direção ficou nas mãos da Marielle Heller, que já tinha feito um trabalho muito bom em Poderia Me Perdoar?. Ela tem esse estilo de filmar de um jeito muito real, sem exagerar na estética. No elenco, temos o Tom Hanks entregando o que ele faz de melhor: ser um cara absurdamente convincente. Ele interpreta Fred Rogers, uma figura icônica da TV americana.
Mas o ponto central aqui não é só o Fred. O protagonista "de verdade" é o jornalista Lloyd Vogel, interpretado pelo Matthew Rhys. A dinâmica entre os dois é o que carrega o filme. Lloyd é um cara cético, meio amargurado e com um monte de problema de família para resolver, enquanto Rogers é o oposto. Ver esses dois mundos colidindo é o que faz o roteiro funcionar tão bem.
Por que não é uma biografia comum?
Se você espera ver a vida inteira do Mr. Rogers, do nascimento até a morte, vai se surpreender. O filme foca em um recorte específico: o perfil que o jornalista Tom Junod (que inspirou o personagem Lloyd) escreveu para a revista Esquire.
A narrativa mostra como o encontro com Rogers mudou a perspectiva do jornalista sobre perdão e paciência. O filme evita cair no clichê do herói perfeito. Em vez disso, ele foca em como lidar com sentimentos básicos como a raiva e a frustração. É um filme sobre homens tentando entender suas emoções sem parecer algo artificial.
Notas, prêmios e a parte técnica
Para quem gosta de números, o filme tem uma recepção bem sólida. No IMDb, a nota gira em torno de 7.3, o que é um sinal de que ele agrada tanto o público quanto a crítica.
Sobre premiações, o destaque absoluto foi para o Tom Hanks. Ele foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, além de indicações ao Globo de Ouro e ao BAFTA. Outro ponto que eu achei interessante foi a trilha sonora. O trabalho do Nate Heller é muito cuidadoso, usando músicas originais do programa real do Mr. Rogers, o que traz uma nostalgia pesada para quem conhece a história, mas sem parecer trilha de elevador.
As locações de filmagem também ajudam na imersão. Eles gravaram em Pittsburgh, na Pensilvânia, usando inclusive os estúdios originais onde o programa era filmado. Isso dá uma cara de documentário em alguns momentos que é bem bacana.
Curiosidades que valem o play
Existem alguns detalhes nos bastidores que mostram o cuidado da produção:
O figurino real: Algumas das peças de roupa usadas por Tom Hanks eram baseadas fielmente no guarda-roupa original de Fred Rogers, incluindo o famoso suéter vermelho.
O método de Hanks: O ator assistiu a centenas de horas de filmagens do Fred Rogers para pegar o ritmo da fala e os gestos específicos, que eram muito pausados.
Participações especiais: Em uma das cenas do restaurante, várias pessoas que conviveram com o Fred Rogers real aparecem como figurantes no fundo.
No fim das contas, Um Lindo Dia na Vizinhança é um filme sobre maturidade. Ele não tenta te ensinar uma lição de moral barata, mas te faz pensar sobre como você trata as pessoas ao seu redor. Se você quer algo com boa atuação e uma história que flui sem pressa, vale muito o tempo investido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário