Sempre que penso em ficção científica que mexe com a ética, A Nova Espécie (título original: Splice) é um dos primeiros nomes que me vem à cabeça. Lançado nos cinemas em 4 de junho de 2010, o filme não é apenas mais um suspense de monstros. Ele toca em feridas sobre o que significa brincar de Deus e as consequências de levar a ciência além do que a nossa maturidade permite.
Eu acompanhei o trabalho do diretor Vincenzo Natali desde Cubo, e aqui ele mostra que sabe criar uma atmosfera claustrofóbica como poucos. Vou te contar um pouco sobre o que faz esse filme ser tão relevante até hoje, sem entregar nenhuma surpresa importante da trama.
A direção e o peso do elenco de peso
Vincenzo Natali levou quase dez anos para tirar esse projeto do papel, e essa dedicação transparece na tela. Ele conseguiu escalar dois nomes fortes para os papéis centrais: Adrien Brody, que já tinha um Oscar no currículo, e Sarah Polley. Eles interpretam Clive e Elsa, um casal de cientistas brilhantes que decidem ignorar todas as barreiras legais e éticas para criar um híbrido de DNA humano com o de várias outras espécies.
O resultado dessa experiência é Dren, interpretada por Delphine Chanéac. O trabalho de atuação dela, misturado com efeitos práticos e digitais, é impressionante. Atualmente, o filme sustenta uma nota 5.8 no IMDb. Pode parecer uma nota mediana, mas para o gênero de ficção científica com terror, reflete bem como a obra divide opiniões por ser bastante corajosa e, em certos pontos, bem perturbadora.
O que torna a trama de A Nova Espécie diferente
O que eu acho interessante nesse roteiro é que ele foge do clichê do laboratório que explode e o monstro sai matando todo mundo pela cidade. A história é muito mais íntima e psicológica. O foco está na relação disfuncional que os criadores desenvolvem com a criatura.
Eles começam como cientistas, passam a agir como pais e acabam em um terreno cinzento que é difícil de definir. A narrativa flui de um jeito que te faz questionar quem é o verdadeiro "monstro" da história. Não espere sustos gratuitos, espere um desconforto constante que vai crescendo conforme a Dren evolui e mostra novas habilidades.
Aspectos técnicos e as locações canadenses
Se você gosta de prestar atenção nos detalhes técnicos, a trilha sonora de Cyrille Aufort ajuda muito a manter esse clima de tensão contida. Ela não é invasiva, mas está lá pontuando cada descoberta genética do casal.
Sobre as filmagens, a produção se concentrou basicamente no Canadá, especificamente em Toronto e na cidade de Milton, em Ontário. Aqueles cenários industriais e laboratórios frios que vemos no início do filme ajudam a vender a ideia de uma ciência desalmada, contrastando com os ambientes mais orgânicos que aparecem depois.
Embora não tenha sido um fenômeno de bilheteria, o filme foi reconhecido em nichos específicos. Ele ganhou, por exemplo, o prêmio de Melhores Efeitos Especiais no renomado Festival de Sitges, o que faz total sentido quando você vê a fluidez dos movimentos da Dren.
Curiosidades e os bastidores de Splice
Existem alguns fatos sobre os bastidores que ajudam a entender a obra. Por exemplo, o nome "Dren" é "Nerd" escrito ao contrário, uma brincadeira interna dos personagens que acabou ficando. Além disso, a produção executiva contou com o nome de Guillermo del Toro, o que já explica muito sobre o design de criatura tão detalhado e bizarro.
Outro ponto que pouca gente sabe é que o roteiro original era ainda mais sombrio, mas precisou de alguns ajustes para que o estúdio aceitasse financiar a produção. Mesmo assim, o corte final que chegou até nós não economiza em momentos que fazem o espectador desviar o olhar da tela por puro desconforto moral.
Se você curte filmes que provocam o intelecto e não tem medo de ver o lado mais feio da ambição humana, esse filme merece uma chance na sua lista.
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