Assisti recentemente a "Histórias Que é Melhor Não Contar" e, se você gosta de observar o comportamento humano sem filtros, esse filme é um prato cheio. Dirigido por Cesc Gay, o longa espanhol foca no que tentamos esconder: o ridículo, o patético e aquelas situações em que a gente simplesmente não sabe onde enfiar a cara.
Aqui vou direto ao ponto sobre o que achei e os dados técnicos que você precisa saber antes de dar o play.
O que esperar de "Histórias Que é Melhor Não Contar"
O título original é "Historias para no contar" e o filme entrega exatamente o que promete. Lançado em 2022, a trama não segue uma linha única; ela é dividida em cinco contos curtos. O ponto em comum entre todos eles? A incapacidade dos personagens de lidar com a verdade ou com situações embaraçosas.
Não espere grandes explosões ou reviravoltas mirabolantes. O roteiro se sustenta no diálogo e na tensão do cotidiano. É aquele tipo de cinema que te faz pensar: "Ainda bem que isso não está acontecendo comigo, mas poderia muito bem ser com um vizinho".
Elenco de peso e direção afiada
Cesc Gay já é conhecido por saber dissecar a classe média europeia, e aqui ele faz isso com precisão cirúrgica. Para dar vida a esses personagens complicados, ele reuniu um elenco de primeira grandeza do cinema espanhol e argentino.
Entre os principais nomes, temos:
Chino Darín
Antonio de la Torre
Anna Castillo
Javier Rey
Maribel Verdú
A atuação é contida, sem dramas exagerados, o que combina com o tom mais cínico da narrativa. A nota no IMDb gira em torno de 6.3/10, o que considero justo para uma comédia ácida que não tenta agradar todo mundo.
Bastidores: Trilha sonora, locações e premiações
O filme é visualmente muito limpo. Grande parte das filmagens aconteceu em Barcelona, aproveitando os apartamentos elegantes e as ruas charmosas para criar um contraste com a "sujeira" moral das situações apresentadas.
A trilha sonora é pontual, usada mais para marcar as transições entre os contos do que para ditar a emoção do espectador — o que eu, pessoalmente, prefiro. Quanto às premiações, o longa teve uma passagem notável por festivais como o de Toronto (TIFF) e recebeu indicações em premiações regionais da Espanha, como o Gaudí Awards, focando principalmente no roteiro e na direção.
Curiosidades sobre a produção
Se você gosta de saber o que rola por trás das câmeras, aqui vão alguns pontos interessantes:
Ritmo de antologia: O filme foi pensado para que as histórias pudessem ser assistidas quase de forma independente, mas a ordem escolhida pelo diretor cria um crescente de desconforto.
Familiaridade: Esta é mais uma colaboração entre Cesc Gay e vários atores com quem ele já trabalhou em sucessos anteriores, como "Truman".
Observação real: Muitas das situações foram inspiradas em conversas reais captadas pelo diretor em cafés e encontros sociais.
Conclusão: Vale a pena assistir?
Se você busca uma comédia leve para dar risadas altas, talvez se decepcione. Mas, se curte um humor mais seco, voltado para a ironia e para as falhas humanas, "Histórias Que é Melhor Não Contar" é uma excelente escolha. É um filme curto, direto e que não perde tempo tentando redimir seus personagens. No fim das contas, a gente acaba se identificando com o absurdo de esconder o óbvio.
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