Se você curte cinema brasileiro ou tem curiosidade sobre temas que vão além do que os olhos veem, com certeza já ouviu falar de Nosso Lar. O filme, que leva o mesmo título original da obra psicografada por Chico Xavier, é um marco por aqui, especialmente pela escala da produção. Resolvi analisar esse projeto de uma forma mais técnica e direta, deixando de lado o peso emocional que muita gente coloca nele, para focar no que ele entrega como cinema.
O que esperar dessa produção de Wagner de Assis
Lançado em 3 de setembro de 2010, o filme foi dirigido por Wagner de Assis, que assumiu a missão de transformar um livro extremamente denso em algo visualmente palatável. A história foca na jornada de André Luiz, interpretado por Renato Prieto, um médico que, após sua morte, acorda em um lugar de transição e depois é levado para uma colônia espiritual.
O elenco ainda conta com nomes sólidos como Fernando Alves Pinto e Rosane Mulholland. No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 6.3, o que é bem interessante para um gênero tão específico. O roteiro segue uma linha de aprendizado: o protagonista tenta entender as regras desse novo mundo enquanto lida com as consequências das escolhas que fez em vida. É uma narrativa de descoberta, sem entregar reviravoltas mirabolantes, mas com um ritmo constante.
Os bastidores e onde a mágica aconteceu
Um dos pontos que mais me chamou a atenção foram as locações. Muita gente acha que tudo foi feito em estúdio, mas a produção usou cenários reais no Rio de Janeiro (como o Recreio dos Bandeirantes e Guaratiba) e também no Novo Gama, em Goiás.
Essas locações serviram de base para os efeitos visuais que, para a época e para o orçamento do cinema nacional, foram um salto enorme. O filme não tenta ser um blockbuster de ação, mas constrói uma estética de cidade futurista/espiritual que convence. A direção de arte teve um trabalho imenso para criar aquela sensação de paz e organização que o título sugere.
A trilha sonora de peso e o reconhecimento técnico
Se tem algo que eleva o nível de Nosso Lar, é a trilha sonora. O diretor conseguiu trazer ninguém menos que Philip Glass, um dos compositores mais influentes do mundo. A música dele dá uma sobriedade para o filme, evitando que ele caia no melodrama barato. É um som minimalista que dita o tom das cenas de reflexão do André Luiz.
Em termos de premiações, o filme não passou batido. Ele levou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria de Melhores Efeitos Visuais, o que faz todo o sentido quando você vê o trabalho de pós-produção. É um filme que se esforçou tecnicamente para não ser apenas "mais um" drama biográfico ou religioso.
Curiosidades que talvez você não saiba
Para fechar o papo, vale destacar alguns pontos que mostram o tamanho desse projeto:
Sucesso de público: Foi uma das maiores bilheterias do cinema nacional, levando mais de 4 milhões de pessoas aos cinemas.
Orçamento: Na época, custou cerca de R$ 20 milhões, um valor altíssimo para os padrões brasileiros de 2010.
Fidelidade: A produção teve um cuidado minucioso para reproduzir as descrições do livro, desde as roupas até o design das construções da colônia.
No fim das contas, Nosso Lar funciona como uma experiência de imersão. Independentemente do que você acredita, o filme se sustenta como uma obra de ficção bem executada e com um design de produção que ainda hoje é referência por aqui.
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