Eu assisti a A Pele de Onagro (ou La peau de chagrin) recentemente e, olha, o filme é um soco no estômago para quem gosta de um bom drama psicológico com uma pitada de sobrenatural. Se você curte histórias sobre ambição e o preço que a gente paga pelas nossas escolhas, esse filme francês de 2010 é obrigatório.
Vou te contar o que esperar dessa obra sem entregar o final, para você decidir se vale o play no seu próximo tempo livre.
O que é a tal Pele de Onagro?
O filme é baseado no clássico de Honoré de Balzac. A história gira em torno de Raphaël de Valentin, um jovem talentoso, mas completamente falido e desiludido com a vida. No momento mais baixo de sua existência, ele encontra um antiquário que lhe oferece um objeto bizarro: uma pele de onagro (um tipo de asno selvagem).
A promessa é tentadora: a pele realiza qualquer desejo do dono. Mas tem um "pequeno" detalhe técnico. A cada desejo realizado, a pele encolhe, e com ela, o tempo de vida de quem a possui. É o tipo de contrato que ninguém em sã consciência assinaria, mas o desespero de Raphaël fala mais alto.
Ficha técnica e o que você precisa saber
Para quem gosta de detalhes antes de dar o play, aqui está o "quem é quem" e os dados frios do filme:
Título Original: La peau de chagrin
Data de Lançamento: 22 de setembro de 2010
Diretor: Alain Berliner
Elenco Principal: Thomas Coumans (Raphaël), Annabelle Hettmann (Pauline) e Mylène Jampanoï (Fedora).
Nota IMDb: Geralmente flutua em torno de 6.6/10 — o que eu considero injusto, ele merece um pouco mais pelo visual.
Premiações: O filme teve uma recepção sólida na TV francesa, ganhando destaque pela direção de arte e figurino impecáveis.
Trilha sonora e locações
A música é assinada por Guillaume Roussel. Ela não tenta ser maior que a cena; ela cria uma tensão constante, lembrando que o tempo está correndo. Já as filmagens ocorreram em grande parte em Paris e em locações históricas na Bélgica, o que ajuda a vender aquela atmosfera de opulência e decadência do século XIX.
Por que esse filme ainda é relevante hoje?
Mesmo sendo uma história de época, a narrativa é muito atual. O diretor Alain Berliner conseguiu traduzir bem aquela sensação de "querer tudo para ontem" que a gente vive hoje em dia. Raphaël é o reflexo de quem busca o sucesso rápido, sem medir as consequências.
O ritmo do filme é fluido. Ele não se perde em diálogos filosóficos chatos; ele foca na ação e na mudança física e mental do protagonista à medida que ele percebe que ficou rico, mas está morrendo. É um aviso visual de que, às vezes, conseguir o que você quer é o maior castigo que existe.
Algumas curiosidades sobre a produção
Se você é do tipo que gosta de saber os bastidores, aqui vão uns pontos interessantes:
Fidelidade ao livro: Muita gente considera essa uma das adaptações mais honestas da obra de Balzac, apesar de algumas licenças poéticas para o formato de filme.
O Onagro: Na vida real, o onagro é um animal asiático que corre muito rápido. A metáfora da pele ser desse animal simboliza a rapidez com que a vida passa quando você está obcecado pelo consumo.
Ambiente depressivo: O clima cinzento do início do filme contrasta propositalmente com o luxo dourado de quando ele fica rico, mostrando que a felicidade dele é apenas superficial.
Se você estiver procurando por algo que te faça pensar sobre as suas próprias prioridades — sem ser um documentário chato — A Pele de Onagro é a escolha certa. É um filme direto ao ponto, visualmente bonito e com uma mensagem que fica na cabeça por uns bons dias.
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