As Cinzas de Ângela: Uma análise direta sobre o filme de Alan Parker
Se tem um filme que testa a resistência do espectador sem precisar de monstros ou explosões, esse filme é "As Cinzas de Ângela" (Angela's Ashes). Eu assisti recentemente e decidi escrever sobre ele de uma perspectiva prática. Não é aquele tipo de obra para ver num domingo à tarde querendo relaxar, mas é, sem dúvida, uma peça de cinema muito bem construída.
Abaixo, vou te contar o que achei da produção, passar os dados técnicos que você precisa saber e comentar os bastidores, sem entregar o final.
O enredo: Miséria, chuva e a Irlanda dos anos 30
A história começa nos Estados Unidos, mas logo muda de cenário. O filme narra a infância e adolescência de Frank McCourt, baseado no livro de memórias dele mesmo (que, aliás, ganhou um Pulitzer). A trama gira em torno da família McCourt, que decide fazer o caminho inverso de muita gente naquela época: sair da América e voltar para a Irlanda.
Chegando em Limerick, a realidade bate forte. O filme retrata a extrema pobreza, o alcoolismo do pai e a luta da mãe, Angela, para manter os filhos vivos.
O que me chamou a atenção não foi o drama exagerado, mas a crueza. O diretor não tenta "enfeitar" a pobreza. É um relato muito sóbrio sobre crescer católico e pobre numa das cidades mais chuvosas da Irlanda. A narrativa foca na visão do Frank enquanto ele cresce e tenta entender o mundo ao redor dele, lidando com professores rígidos, a fome constante e a complexa relação com o pai.
Ficha técnica e elenco de peso
Para quem gosta de saber quem está por trás das câmeras e na tela, aqui vai o "raio-x" da produção. O filme tem uma qualidade técnica indiscutível, muito por conta de quem estava no comando.
Título Original: Angela's Ashes
Data de Lançamento: O filme estreou no final de 1999 nos EUA e chegou ao grande público global em 2000.
Diretor: Alan Parker. O cara sabia o que fazia (ele também dirigiu O Expresso da Meia-Noite e Mississipi em Chamas).
Nota no IMDb: Mantém uma média sólida de 7.3/10, o que é uma nota respeitável para dramas biográficos.
O Elenco
A atuação aqui carrega o filme nas costas.
Emily Watson interpreta a mãe, Angela McCourt. A atuação dela é contida, mas passa todo o peso da situação.
Robert Carlyle faz o pai, Malachy. Você provavelmente conhece ele de Trainspotting ou Ou Tudo ou Nada. Ele manda muito bem no papel do pai carismático mas irresponsável.
Os Franks: O protagonista é interpretado por três atores diferentes conforme envelhece: Joe Breen (criança), Ciaran Owens (adolescente) e Michael Legge (jovem adulto).
Trilha sonora e ambientação: O clima cinzento
Uma coisa que você percebe nos primeiros dez minutos é a fotografia. O filme é visualmente cinza, úmido e frio. Eles conseguiram passar a sensação de que está sempre chovendo em Limerick. Se você assistir em alta definição, quase consegue sentir a umidade.
A trilha sonora é um ponto alto e, curiosamente, foi composta pelo lendário John Williams. Sim, o mesmo cara de Star Wars e Indiana Jones. Aqui, ele sai do épico e entrega algo muito mais melancólico e voltado para o piano e cordas, casando perfeitamente com a atmosfera da Irlanda.
Sobre as locações de filmagem:
Apesar da história se passar em Limerick, a cidade mudou muito desde os anos 30 e 40. Por isso, a produção teve que rodar em vários lugares para recriar a época:
Limerick: Algumas cenas externas foram feitas lá.
Cork e Dublin: Usadas para recriar as ruas e becos antigos.
Estúdios Ardmore: Onde foram construídos os interiores das casas (que são bem claustrofóbicos, propositalmente).
Curiosidades sobre a produção
Para fechar, separei alguns fatos que descobri pesquisando sobre o filme e que dão uma camada extra para quem vai assistir:
A controvérsia local: Quando o livro e o filme saíram, muita gente em Limerick não gostou. Acharam que a história fazia a cidade parecer pior do que realmente era, focando apenas na miséria. Houve bastante debate na época sobre a veracidade das memórias do Frank McCourt.
Milhares de crianças: Para escolher o jovem Frank, a equipe de casting testou mais de 15.000 garotos na Irlanda. A ideia era achar rostos que não parecessem "atores de Hollywood", mas sim crianças reais daquela época.
As cinzas reais: O título não é apenas metafórico. Frank McCourt realmente teve que lidar com as cinzas de sua mãe na vida real, embora o filme foque mais na jornada de vida dela e dele do que no pós-morte.
Veredito
Vale a pena? Se você curte cinema de verdade, com roteiro sólido e atuações fortes, sim. É um filme "macho" no sentido de encarar a realidade de frente, sem sentimentalismo barato, mas mostrando como a vida pode ser dura e, ainda assim, seguir em frente.
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