Se você curte cinema que não tenta te ganhar pelo excesso de drama, mas pela força dos fatos, A Troca (título original: Changeling) é um daqueles filmes que merecem um espaço na sua lista. Assisti recentemente e o que mais me chamou a atenção foi a sobriedade com que Clint Eastwood conduz uma história que, em outras mãos, poderia virar um melodrama barato.
Lançado em outubro de 2008, o filme é um soco no estômago, principalmente porque é baseado em eventos reais que aconteceram em Los Angeles, no final da década de 20.
O que você precisa saber antes de dar o play
A trama começa em 1928. Christine Collins, interpretada por Angelina Jolie, volta do trabalho e descobre que seu filho desapareceu. Meses depois, a polícia de Los Angeles "encontra" o menino. O problema é que, ao vê-lo, ela tem certeza de que aquele não é o filho dela.
Aqui entra a mão firme do diretor Clint Eastwood. Ele não perde tempo com floreios. O foco é a luta de uma mulher contra um sistema corrupto e autoritário que tenta convencê-la de que ela está louca. No elenco, ainda temos John Malkovich, que entrega uma atuação sólida como o reverendo que ajuda Christine, e Jeffrey Donovan, que faz você sentir uma raiva genuína do capitão de polícia.
A Los Angeles de 1928 e a atmosfera técnica
Um dos pontos altos aqui é a ambientação. O filme foi rodado em locações na Califórnia, incluindo Pasadena, San Bernardino e a própria Los Angeles. A fotografia é fria, lavada, o que ajuda a passar aquela sensação de desesperança da época.
Outro detalhe que talvez você não saiba: a trilha sonora foi composta pelo próprio Clint Eastwood. É minimalista, discreta, mas pontua muito bem o ritmo da narrativa sem tentar manipular o que você deve sentir. O roteiro de J. Michael Straczynski foi escrito após ele ter acesso a registros do conselho municipal de Los Angeles, o que explica o tom tão cru e direto da história.
Reconhecimento e números: do IMDB ao Oscar
Se você se baseia em avaliações para escolher o que assistir, A Troca mantém uma nota respeitável de 7.8 no IMDB. É um filme que agradou tanto a crítica quanto o público, justamente por não subestimar a inteligência de quem assiste.
Em termos de premiações, o longa não passou batido:
Recebeu 3 indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Jolie), Melhor Direção de Arte e Melhor Fotografia.
Foi indicado ao Globo de Ouro e ao BAFTA em diversas categorias.
Venceu prêmios técnicos de associações de críticos, reforçando a qualidade da produção.
Bastidores e curiosidades que mudam a percepção
Sempre gosto de saber o que rolou por trás das câmeras. Em Changeling, tem alguns pontos interessantes:
A escolha de Jolie: Ela hesitou em aceitar o papel porque tinha acabado de ser mãe e achou o tema pesado demais. Mudou de ideia pela confiança que tinha no trabalho do Eastwood.
A História Real: O filme se baseia no caso conhecido como "Wineville Chicken Coop Murders". Se tiver estômago, vale pesquisar depois de ver o filme, mas aviso que a realidade foi ainda mais sombria.
Rapidez nas filmagens: Clint Eastwood é famoso por ser prático e fazer poucas tomadas. Isso deu ao filme uma agilidade que você percebe na montagem final.
No fim das contas, A Troca é um filme sobre persistência e a busca pela verdade em um mundo que prefere a conveniência de uma mentira bem contada. É um cinema técnico, bem executado e sem frescuras. Se você ainda não viu, vale o tempo.
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