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11 março 2026

Kids

 

Trombada de realidade. É a melhor forma de descrever o que senti quando assisti Kids, o clássico underground de 1995. Se você busca aquele tipo de filme adolescente com lições de moral e trilha sonora pop chiclete, pode esquecer. Esse aqui é o oposto: é cru, sujo e desconfortável.

Preparei um resumo do que faz esse filme ser um soco no estômago até hoje, sem frescura e direto ao ponto.

O que é Kids e por que ele ainda incomoda

O título original é apenas Kids, e a premissa é simples: acompanhamos 24 horas na vida de um grupo de adolescentes em Nova York. Mas não é qualquer grupo. Eles andam de skate, bebem, usam drogas e buscam sexo de forma quase mecânica, tudo isso enquanto a sombra do HIV paira sobre a juventude da época.

Lançado oficialmente em 28 de julho de 1995, o filme causou um escândalo imediato. O diretor Larry Clark, que já era conhecido por suas fotografias polêmicas de jovens à margem, trouxe uma estética de documentário que faz você se sentir um intruso observando algo que não deveria ver. O roteiro foi escrito por um então novato Harmony Korine, que na época tinha apenas 19 anos, o que explica por que os diálogos soam tão reais e menos "roteirizados".

Elenco e a estética das ruas de Nova York

O que mais me impressiona em Kids é o elenco. Muitos ali não eram atores profissionais, mas sim skatistas reais que Clark encontrou nas praças de Manhattan. Foi aqui que o mundo conheceu nomes que hoje são gigantes, como:

  • Chloë Sevigny (como Jennie)

  • Rosario Dawson (como Ruby)

  • Leo Fitzpatrick (como Telly)

  • Justin Pierce (como Casper)

As locações de filmagem são personagens à parte. O filme respira a Nova York do meio dos anos 90 — o Washington Square Park, as estações de metrô pichadas e os apartamentos apertados. Não tem filtro de Instagram, é o concreto cinza e o calor do verão urbano.

Trilha sonora e reconhecimento técnico

A trilha sonora é outro ponto forte. Esqueça as orquestras dramáticas; aqui o som é comandado pelo rock alternativo e pelo lo-fi de bandas como The Folk Implosion (do Lou Barlow) e Slint. A música não dita o que você deve sentir, ela apenas acompanha o ritmo errante dos personagens.

Sobre a recepção técnica:

  • Nota no IMDb: Atualmente mantém um sólido 7.1/10.

  • Premiações: O filme competiu pela Palma de Ouro no Festival de Cannes e Chloë Sevigny foi indicada ao Independent Spirit Award.

É o tipo de obra que a crítica respeita pela coragem, mesmo que o público médio saia da sala de cinema precisando de um banho.

Curiosidades que cercam a produção

Mesmo décadas depois, os bastidores de Kids ainda rendem conversa. Separei alguns fatos que mostram o peso dessa produção:

  1. Classificação polêmica: O filme recebeu inicialmente uma classificação NC-17 (proibido para menores) nos EUA devido ao conteúdo explícito, o que quase enterrou a distribuição comercial.

  2. Roteiro em uma semana: Harmony Korine escreveu a primeira versão do roteiro em poucos dias, baseando-se em suas próprias vivências nas ruas.

  3. Realismo extremo: Muitos figurantes eram apenas pessoas que passavam pelo local e acabaram entrando na cena para manter a vibe naturalista.

No fim das contas, Kids não é um filme que você assiste para relaxar no domingo. É um registro histórico de uma época em que a liberdade e o perigo andavam de mãos dadas nas calçadas de Nova York. Se você gosta de cinema que te faz pensar sobre a realidade sem maquiagem, esse é o ponto de partida.



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