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24 março 2026

Magalhães

 

Olha, se você curte cinema que foge do óbvio e te faz pensar por horas depois que os créditos sobem, senta aqui. Vamos trocar uma ideia sobre Magalhães (ou Magellan), uma obra que carrega o selo inconfundível do diretor filipino Lav Diaz.

Sabe aquele tipo de filme que não tem pressa nenhuma de contar a história e te mergulha fundo em uma atmosfera carregada? Pois é. Lançado em 2024, o longa é uma viagem densa, mas que recompensa quem tem paciência para enxergar as camadas por trás de cada cena. Com o título original Magellan, o filme traz uma mistura de história, política e aquela melancolia que só o Diaz sabe filmar.

No IMDb, a nota tem flutuado na casa dos 6.8, o que é bem comum para obras de arte mais autorais e menos "blockbuster".

O que esperar da história de Magalhães?

A trama é um mergulho profundo nas cicatrizes das Filipinas. Lav Diaz usa a figura histórica do navegador Fernão de Magalhães não como uma biografia clássica, mas como um ponto de partida para discutir colonialismo, identidade e o tempo.

O elenco é um show à parte. Temos o talentoso Gael García Bernal, que dispensa apresentações e traz um peso dramático absurdo, dividindo a tela com nomes como Ângela Azevedo e Amado Arjay Babon. A dinâmica entre eles é silenciosa, baseada muito mais em olhares e presenças do que em diálogos expositivos. É o tipo de atuação que exige que a gente preste atenção nos detalhes.

Onde o filme Magalhães foi gravado?

Se você liga para o visual, esse filme é um prato cheio. Lav Diaz escolheu as Filipinas como locação principal, aproveitando as paisagens naturais e urbanas para criar um contraste visual potente. A fotografia, geralmente em preto e branco (marca registrada do diretor), transforma o cenário em um personagem vivo.

Diferente daquelas produções de Hollywood que usam filtros coloridos, aqui o que importa é a luz natural, as sombras e a sensação de que o tempo parou naquelas ilhas. É um filme "pé no chão", com uma estética crua que faz você se sentir dentro da umidade e do calor da região.

Quais são as principais curiosidades de Magellan?

Uma das coisas mais legais — e que talvez assuste os desavisados — é a duração e o ritmo. Lav Diaz é conhecido por filmes de 4, 8 ou até 10 horas. Em Magalhães, ele mantém sua assinatura de planos longos, onde a câmera fica estática, permitindo que a vida aconteça diante dos nossos olhos.

Outro ponto curioso é a escalação de Gael García Bernal. Ver um ator mexicano de renome mundial em uma produção filipina tão nichada mostra o respeito que o cinema de Lav Diaz impõe globalmente. É um encontro de culturas que conversa diretamente com a proposta do filme de falar sobre os encontros e confrontos da história.

Vale a pena assistir ao filme de Lav Diaz?

Na minha visão, vale muito, mas com uma ressalva: não assista esperando um filme de ação ou uma aventura de época tradicional. Magalhães é um exercício de paciência e observação. É cinema como arte política.

A minha crítica principal vai para a forma como Diaz consegue transformar a lentidão em uma ferramenta de tensão. O filme te incomoda, te faz questionar o passado e olhar para o presente de um jeito mais crítico. Não é um filme "fácil", mas é extremamente necessário para quem quer expandir o horizonte além do algoritmo das plataformas de streaming.

Se você quer ver uma performance visceral do Gael García Bernal e entender por que Lav Diaz é um dos diretores mais cultuados do mundo hoje, esse é o caminho.



Você Deveria Ter Partido

 

Se você curte aquele suspense psicológico que te deixa desconfortável no sofá, provavelmente já esbarrou com Você Deveria Ter Partido (You Should Have Left) no catálogo. Sabe aquele filme que começa parecendo um drama familiar de luxo e, de repente, vira um nó na cabeça? Pois é. Eu assisti recentemente e confesso que a experiência me deixou pensativo por uns bons dias.

Do que se trata a história?

O filme, lançado em 2020, traz Kevin Bacon no papel de Theo Conroy, um cara rico com um passado meio sombrio que decide levar a esposa mais jovem, Susanna (Amanda Seyfried), e a filha pequena para um retiro numa casa isolada no País de Gales. A ideia era consertar o casamento, mas a casa... bom, a casa tem outros planos.

O título original é You Should Have Left, e a direção fica por conta de David Koepp, o mesmo roteirista de Jurassic Park e O Quarto do Pânico. O cara sabe como criar tensão em espaços fechados, e aqui ele usa a arquitetura da casa como uma armadilha psicológica.

Onde o filme foi gravado e qual a nota dele?

Muita gente pergunta sobre a locação, porque a casa é, literalmente, uma personagem. As filmagens rolaram no País de Gales, e a residência minimalista que vemos existe de verdade (chama-se Life House). É o lugar perfeito: frio, isolado e estranhamente geométrico.

No IMDb, a nota gira em torno de 5.4. Sendo bem sincero com você? Acho que a galera pesou a mão. O filme não é um terror de sustos fáceis (jump scares), é um suspense cadenciado. Se você espera um Invocação do Mal, vai se frustrar. Mas se curte algo na pegada de "o passado volta para te cobrar", a nota merece ser um pouco mais alta.

Quem está no elenco principal?

O peso do filme está quase todo nos ombros de Kevin Bacon e Amanda Seyfried. O Bacon entrega aquela vibe de homem de meia-idade tentando manter o controle enquanto tudo desmorona, e a química entre os dois funciona bem justamente por ser desconfortável — afinal, a diferença de idade e os segredos entre o casal são pontos centrais da trama. A pequena Avery Essex também manda muito bem como a filha, servindo de bússola moral no meio daquela bagunça mental.

Quais são as melhores curiosidades sobre a produção?

Uma coisa que achei sensacional é que o filme é baseado em um livro homônimo de Daniel Kehlmann. Outro detalhe curioso: David Koepp e Kevin Bacon não trabalhavam juntos desde Ecos do Além (1999), que é um baita clássico do suspense. Eles voltaram com essa parceria para tentar resgatar aquele clima de mistério sobrenatural mais contido.

Além disso, a produção usou truques de perspectiva real no set. Sabe aquela sensação de que um corredor é maior por dentro do que parece por fora? Eles construíram cenários com ângulos levemente errados para causar essa desorientação visual no espectador, sem precisar de tanto CGI.

Vale a pena assistir Você Deveria Ter Partido?

Na minha opinião, vale o play sim, especialmente se você gosta de tramas que exploram a culpa e o arrependimento. A crítica especializada se dividiu: uns acharam o final um pouco apressado, outros elogiaram a atmosfera de pesadelo.

Eu vejo o filme como um estudo sobre um homem que não consegue fugir de si mesmo. A casa é apenas o cenário que materializa seus demônios internos. Não é uma obra-prima que vai mudar sua vida, mas é um suspense sólido, bem filmado e que respeita a inteligência de quem está assistindo. É aquele tipo de filme ideal para uma noite chuvosa, com as luzes apagadas e o celular longe.



23 março 2026

Onde Os Fracos Não Tem Vez

 

Se você curte aquele cinema que te deixa grudado na cadeira, sem fôlego e pensando na vida por dias, "Onde os Fracos Não Têm Vez" é parada obrigatória. Assisti a esse filme de novo recentemente e, vou te falar, a sensação de tensão não diminui, mesmo sabendo o que vai acontecer. É uma obra-prima que não desperdiça um segundo de tela.

Aqui estão os detalhes técnicos para a gente se situar:

  • Título Original: No Country for Old Men

  • Ano de Lançamento: 2007

  • Direção: Ethan Coen e Joel Coen

  • Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin

  • Nota IMDb: 8.2/10

  • Locação: Filmado principalmente nas paisagens desoladas do Novo México e Texas.

Do que se trata a história de Onde os Fracos Não Têm Vez?

A trama é um soco no estômago. Tudo começa quando Llewelyn Moss (Josh Brolin), um veterano do Vietnã que está caçando no deserto, se depara com uma cena de crime: um negócio de drogas que deu muito errado. No meio do caos, ele encontra uma maleta com dois milhões de dólares.

O erro dele? Achar que poderia levar o dinheiro e sair ileso. A partir daí, ele passa a ser caçado por Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicopata que usa uma pistola de ar comprimido para gado e decide o destino das pessoas no cara ou coroa. Enquanto isso, o xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones) tenta entender essa onda de violência que parece não ter mais lugar para os valores antigos.

Por que Anton Chigurh é um dos maiores vilões do cinema?

Não dá para falar desse filme sem mencionar o trabalho absurdo do Javier Bardem. O cara criou um monstro. Chigurh não é o vilão típico que quer dominar o mundo ou que tem um plano mirabolante. Ele é quase uma força da natureza, uma personificação do azar ou do destino implacável.

Aquele cabelo bizarro e o olhar vazio dão um contraste tenso com a frieza com que ele executa suas tarefas. Ele segue um código de honra distorcido que é impossível de prever, o que torna cada diálogo dele uma tortura psicológica para quem está do outro lado. Não é à toa que o Bardem levou o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por esse papel.

Quais são as curiosidades que cercam a produção dos Coen?

O filme é cheio de detalhes que mostram o capricho dos irmãos Coen. Muita gente não percebe de primeira, mas a obra quase não tem trilha sonora. O que você ouve é o som do vento, o barulho das botas no chão e o silêncio perturbador do deserto. Isso aumenta a imersão de um jeito que pouca trilha conseguiria.

Outro ponto curioso é que o filme foi rodado na mesma época e região que "Sangue Negro". Dizem as más línguas que a fumaça de um teste de incêndio no set de "Sangue Negro" chegou a atrapalhar as filmagens dos Coen por um dia inteiro. No fim, ambos os filmes dominaram as premiações daquele ano. Além disso, o título vem de um poema de W.B. Yeats, chamado "Sailing to Byzantium", que reflete justamente sobre como o mundo se torna estranho para os mais velhos.

Vale a pena assistir a esse clássico moderno?

Minha crítica é direta: "Onde os Fracos Não Têm Vez" é um filme sobre consequências. Ele quebra as regras do gênero policial ao evitar clichês de heróis imbatíveis ou finais redentores. A narrativa é seca, masculina no sentido de ser prática e brutal, mas extremamente profunda ao questionar se o mundo sempre foi violento ou se nós é que perdemos a capacidade de lidar com ele.

A fotografia é impecável, aproveitando a vastidão do Texas para criar uma sensação de isolamento. Se você busca um filme que respeita a sua inteligência e entrega uma experiência visceral, esse é o título. É cinema de altíssimo nível, feito por quem entende de narrativa e ritmo.