Olha, se você curte cinema que foge do óbvio e te faz pensar por horas depois que os créditos sobem, senta aqui. Vamos trocar uma ideia sobre Magalhães (ou Magellan), uma obra que carrega o selo inconfundível do diretor filipino Lav Diaz.
Sabe aquele tipo de filme que não tem pressa nenhuma de contar a história e te mergulha fundo em uma atmosfera carregada? Pois é. Lançado em 2024, o longa é uma viagem densa, mas que recompensa quem tem paciência para enxergar as camadas por trás de cada cena. Com o título original Magellan, o filme traz uma mistura de história, política e aquela melancolia que só o Diaz sabe filmar.
No IMDb, a nota tem flutuado na casa dos 6.8, o que é bem comum para obras de arte mais autorais e menos "blockbuster".
O que esperar da história de Magalhães?
A trama é um mergulho profundo nas cicatrizes das Filipinas. Lav Diaz usa a figura histórica do navegador Fernão de Magalhães não como uma biografia clássica, mas como um ponto de partida para discutir colonialismo, identidade e o tempo.
O elenco é um show à parte. Temos o talentoso Gael García Bernal, que dispensa apresentações e traz um peso dramático absurdo, dividindo a tela com nomes como Ângela Azevedo e Amado Arjay Babon. A dinâmica entre eles é silenciosa, baseada muito mais em olhares e presenças do que em diálogos expositivos. É o tipo de atuação que exige que a gente preste atenção nos detalhes.
Onde o filme Magalhães foi gravado?
Se você liga para o visual, esse filme é um prato cheio. Lav Diaz escolheu as Filipinas como locação principal, aproveitando as paisagens naturais e urbanas para criar um contraste visual potente. A fotografia, geralmente em preto e branco (marca registrada do diretor), transforma o cenário em um personagem vivo.
Diferente daquelas produções de Hollywood que usam filtros coloridos, aqui o que importa é a luz natural, as sombras e a sensação de que o tempo parou naquelas ilhas. É um filme "pé no chão", com uma estética crua que faz você se sentir dentro da umidade e do calor da região.
Quais são as principais curiosidades de Magellan?
Uma das coisas mais legais — e que talvez assuste os desavisados — é a duração e o ritmo. Lav Diaz é conhecido por filmes de 4, 8 ou até 10 horas. Em Magalhães, ele mantém sua assinatura de planos longos, onde a câmera fica estática, permitindo que a vida aconteça diante dos nossos olhos.
Outro ponto curioso é a escalação de Gael García Bernal. Ver um ator mexicano de renome mundial em uma produção filipina tão nichada mostra o respeito que o cinema de Lav Diaz impõe globalmente. É um encontro de culturas que conversa diretamente com a proposta do filme de falar sobre os encontros e confrontos da história.
Vale a pena assistir ao filme de Lav Diaz?
Na minha visão, vale muito, mas com uma ressalva: não assista esperando um filme de ação ou uma aventura de época tradicional. Magalhães é um exercício de paciência e observação. É cinema como arte política.
A minha crítica principal vai para a forma como Diaz consegue transformar a lentidão em uma ferramenta de tensão. O filme te incomoda, te faz questionar o passado e olhar para o presente de um jeito mais crítico. Não é um filme "fácil", mas é extremamente necessário para quem quer expandir o horizonte além do algoritmo das plataformas de streaming.
Se você quer ver uma performance visceral do Gael García Bernal e entender por que Lav Diaz é um dos diretores mais cultuados do mundo hoje, esse é o caminho.