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01 março 2026

Três Mulheres, Três Amores

 

Sempre que penso em filmes que definiram o fim dos anos 80, Três Mulheres, Três Amores (título original: Mystic Pizza) me vem à mente. Não por ser um épico de ação, mas pela honestidade. Lançado em 21 de outubro de 1988, o longa foge daquela melancolia exagerada e foca no que interessa: a vida como ela é para três jovens em uma cidade litorânea.

Assisti ao filme recentemente e notei como a direção de Donald Petrie consegue manter as coisas nos eixos sem precisar de grandes reviravoltas mirabolantes. É um retrato sobre amadurecimento, trabalho e escolhas, tudo temperado pelo ambiente de uma pizzaria que se tornou icônica.

O cenário e a direção por trás do balcão

A história gira em torno de duas irmãs e uma amiga que trabalham na pizzaria Mystic Pizza. O que me agrada aqui é a falta de frescura. O diretor Donald Petrie, que depois assinou sucessos como Como Perder um Homem em 10 Dias, soube conduzir a narrativa de forma que você se sente sentado em uma das mesas do restaurante, apenas observando a dinâmica entre elas.

As locações de filmagem são um ponto forte. O filme foi rodado em Mystic, Connecticut, e em cidades vizinhas como Stonington. O lugar existe de verdade e, até hoje, atrai turistas por causa do filme. Essa autenticidade visual ajuda a distanciar a obra daquelas produções de estúdio que parecem artificiais demais.

Um elenco que estava prestes a explodir

É impossível falar de Três Mulheres, Três Amores sem mencionar que este foi o trampolim para Julia Roberts. Ela interpreta Daisy Araújo com uma energia que já mostrava que ela não seria apenas mais uma atriz em Hollywood. Ao lado dela, temos Annabeth Gish (Kat) e Lili Taylor (Jojo), que entregam atuações sólidas e sem o drama excessivo que costuma estragar filmes do gênero.

O entrosamento entre as três é o que carrega o filme. Não há uma liderança absoluta; cada uma tem seu peso na trama, lidando com expectativas de futuro e relacionamentos de formas bem distintas. É um roteiro pé no chão, que respeita a inteligência do espectador.

Trilha sonora, locações e a nota no IMDb

Para quem gosta de métricas, o filme mantém uma nota 6.3 no IMDb. Pode parecer uma nota conservadora, mas para uma comédia dramática de baixo orçamento daquela época, é um reflexo de sua consistência. Em termos de premiações, o longa venceu o Independent Spirit Award de Melhor Filme de Estreia, o que confirma sua qualidade técnica além do apelo popular.

A trilha sonora é bem característica da transição dos anos 80 para os 90, com aquela pegada pop rock que dita o ritmo das cenas de passeio pela cidade. Não tenta ser o centro das atenções, mas serve bem como moldura para o dia a dia em Mystic.

Curiosidades e o "fator Matt Damon"

Uma das coisas mais interessantes sobre este filme é uma pequena curiosidade que muita gente deixa passar: a estreia de Matt Damon no cinema. Ele aparece em uma cena de jantar, tem apenas uma frase, mas já estava ali garantindo seu espaço.

Outros fatos que valem o registro:

  • A "molho secreto" da pizza, que é um ponto central da trama, nunca teve sua receita revelada na vida real pela pizzaria original.

  • O filme ajudou a revitalizar o turismo na região de Connecticut.

  • Julia Roberts precisou tingir o cabelo de castanho escuro para o papel, o que acabou se tornando uma de suas marcas registradas por anos.

Se você procura um filme com narrativa fluida, sem enrolação e que entrega uma boa fotografia de época, Três Mulheres, Três Amores é uma escolha segura. É o tipo de produção que prova que bons personagens e um cenário autêntico valem mais do que qualquer efeito especial.



Paisagem Com Mão Invisível

 

Vi esse filme outro dia e, confesso, ele me deixou pensando por um bom tempo. Se você está esperando aquela velha história de ETs explodindo cidades, pode esquecer. Paisagem Com Mão Invisível (título original: Landscape with Invisible Hand) segue uma linha bem mais pé no chão — ou melhor, uma linha econômica e social que a gente raramente vê no gênero.

Vou te contar o que achei e o que você precisa saber sobre essa obra sem entregar nenhuma surpresa importante da trama.

Do que se trata Landscape with Invisible Hand?

A premissa é direta: uma raça alienígena chamada Vuvv chega à Terra. Mas eles não chegam atirando. Eles chegam com tecnologia e uma burocracia implacável que acaba com a economia global. Basicamente, os humanos viram a classe baixa de um império intergaláctico.

O filme foca em dois adolescentes, interpretados por Asante Blackk e Kylie Rogers, que decidem transmitir o namoro deles via "pay-per-view" para os alienígenas, já que os Vuvv são fascinados por emoções humanas (coisa que eles não sentem). O problema é que manter um romance de fachada para a audiência é um trabalho ingrato.

O diretor é o Cory Finley, o mesmo de Puro Sangue. Ele tem um estilo bem seco e focado na sátira, o que combina muito com essa pegada de "capitalismo alienígena". No elenco, ainda temos a Tiffany Haddish, que entrega uma atuação bem mais contida e interessante do que o habitual.

O time por trás da obra e os detalhes técnicos

Se você liga para números e recepção da crítica, o filme teve sua estreia oficial no Festival de Sundance em janeiro de 2023, chegando aos cinemas e plataformas digitais em agosto do mesmo ano. No IMDb, a nota gira em torno de 6.3, o que eu considero justo. É um filme "ame ou odeie" porque ele não entrega o que o público comum de ficção científica costuma buscar.

Aqui estão alguns dados técnicos para quem gosta de ir direto ao ponto:

  • Direção: Cory Finley.

  • Elenco Principal: Asante Blackk, Kylie Rogers e Tiffany Haddish.

  • Locações: Grande parte das filmagens aconteceu em Atlanta, Geórgia, que serviu bem para criar aquele clima de subúrbio americano decadente.

  • Premiações: O filme foi indicado ao Grande Prêmio do Júri em Sundance, o que já mostra que ele tem uma qualidade artística acima da média.

A trilha sonora e a estética visual

Um ponto que me chamou a atenção foi a trilha sonora. Ela foi composta por Michael Abels, o cara que trabalhou com Jordan Peele em Corra! e Nós. A música é estranha, usa instrumentos que lembram o som que os próprios alienígenas fazem — uma mistura de estalidos e sons sintéticos.

Visualmente, o filme não abusa de efeitos especiais grandiosos. Os Vuvv parecem mesas de café com quatro patas e sem rosto, o que é bizarro e fascinante ao mesmo tempo. A fotografia foca muito nas pinturas do protagonista, que dão o nome ao filme (Landscape), e servem como uma crônica da resistência humana diante da ocupação.

Curiosidades e por que vale o seu tempo

Para fechar o papo, separei algumas curiosidades que tornam a experiência de assistir mais rica:

  1. Base Literária: O filme é baseado no livro homônimo de M.T. Anderson, um autor conhecido por sátiras sociais ácidas.

  2. Sátira ao Trabalho: O filme é, na verdade, uma grande crítica à "gig economy" (esses trabalhos de aplicativo e redes sociais) e como a gente transforma nossa vida íntima em produto.

  3. Design dos ETs: O visual dos Vuvv foi pensado para ser o menos antropomórfico possível, fugindo do clichê do "homenzinho cinza".

Se você curte uma ficção científica que te faz questionar como a sociedade funciona e não se importa com um ritmo mais pausado e cínico, vale o play. É um filme inteligente, sem ser pretensioso demais.