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01 fevereiro 2026

Em Guerra Com o Vovô

 

Se você está procurando um filme leve para passar o tempo sem ter que fritar o cérebro, Em Guerra com o Vovô (The War with Grandpa) é uma escolha honesta. Assisti ao filme recentemente e, olha, a premissa é aquela clássica disputa territorial que todo mundo que já teve que dividir quarto entende bem.

Vou te contar o que achei e passar os detalhes técnicos que importam se você está pensando em dar o play.

O enredo e o time por trás das câmeras

O filme, dirigido por Tim Hill, conta a história do jovem Peter, que é forçado a ceder seu quarto para o avô, Ed, interpretado pelo mestre Robert De Niro. O garoto não aceita a "derrota" e declara guerra total para recuperar seu território.

Lançado oficialmente em 2020 (chegando ao Brasil um pouco depois), o longa foca muito mais na comédia física e nas pegadinhas do que em grandes dramas existenciais. É o tipo de produção feita para sentar no sofá e relaxar.

  • Título Original: The War with Grandpa

  • Direção: Tim Hill

  • Nota no IMDb: 5.9/10

Elenco de peso em uma comédia despretensiosa

O que realmente chama a atenção aqui é o elenco. Ver o Robert De Niro saindo de papéis densos de máfia para apanhar de uma criança é, no mínimo, curioso. Além dele, temos a Uma Thurman, que faz a mãe do Peter, e o Christopher Walken, que aparece para dar aquele toque de excentricidade que só ele consegue.

A dinâmica entre eles funciona bem. Não espere atuações de Oscar, mas a química entre os veteranos é o ponto alto. Eles parecem estar se divertindo de verdade no set, e isso passa para quem está assistindo.

Tabela Técnica do Filme

CategoriaDetalhes
Atores PrincipaisRobert De Niro, Uma Thurman, Christopher Walken, Oakes Fegley
LocaçõesAtlanta, Geórgia (EUA)
Trilha SonoraChristopher Lennertz
PremiaçõesVenceu o BMI Film & TV Awards pela trilha sonora

Bastidores, trilha e curiosidades

A trilha sonora do Christopher Lennertz cumpre o papel de ditar o ritmo das travessuras. É aquela música que sobe nos momentos de "conflito" e desce quando o clima fica mais familiar. Sobre as filmagens, o longa foi rodado quase todo em Atlanta, o que já virou padrão para produções desse tamanho nos Estados Unidos.

Uma curiosidade interessante é que o filme é baseado em um livro homônimo de Robert Kimmel Smith. Além disso, a produção ficou "na gaveta" por um tempo devido a problemas com a distribuidora original, o que explica por que ele demorou um pouco mais para ver a luz do dia.

Vale a pena assistir?

Minha opinião direta: se você gosta de comédias no estilo Esqueceram de Mim, mas com um toque de conflito geracional, vale o tempo. Ele entrega exatamente o que promete: uma guerra de pegadinhas inofensivas. Não vai mudar sua vida, mas vai te arrancar algumas risadas honestas.

O filme não foca em sentimentalismo barato, o que eu pessoalmente prefiro. É mais sobre a estratégia da "guerra" e o respeito mútuo que nasce da teimosia de dois caras de idades diferentes.



Frank e O Robô

 

Se você curte ficção científica, mas está cansado daquela mesmice de robôs tentando dominar o mundo ou explosões em cada esquina, precisa conhecer Frank e o Robô (Robot & Frank). Assisti a esse filme outro dia e, sinceramente, ele entrega uma perspectiva bem mais realista e direta sobre como a tecnologia pode se enfiar na nossa rotina.

Vou te contar por que esse longa de 2012, dirigido pelo Jake Schreier, ainda é tão atual e por que ele merece um espaço na sua lista, sem entregar nenhum spoiler que estrague a experiência.

A trama pé no chão de Frank e o Robô (Robot & Frank)

A história se passa num futuro próximo e foca no Frank, interpretado pelo gigante Frank Langella. O cara é um ex-ladrão de joias, meio ranzinza, que mora sozinho e está começando a ter problemas de memória. O filho dele, interpretado pelo James Marsden, decide que o pai precisa de ajuda e, em vez de uma enfermeira, compra um robô doméstico para cuidar da casa e da saúde do velho.

O título original é bem direto, e a premissa também. No começo, o Frank odeia a ideia. Ele vê aquela máquina branca e sem expressão como um invasor. Mas a coisa muda de figura quando ele percebe que o robô não tem um senso moral humano: ele foi programado para ajudar o Frank, e se o Frank quiser planejar um último assalto para passar o tempo, o robô entende que isso pode ser um estímulo cognitivo benéfico. É aí que o filme fica interessante.

O elenco e a pegada técnica do filme

Além do Frank Langella, que carrega o filme nas costas com uma atuação muito sóbria, temos a Susan Sarandon como a bibliotecária local, a Liv Tyler fazendo a filha ativista e o Peter Sarsgaard emprestando a voz (muito bem calibrada, por sinal) para o robô.

O filme tem uma nota 7.0 no IMDb, o que eu considero uma avaliação justa para uma obra independente que não tenta ser maior do que realmente é. Ele inclusive ganhou o prêmio Alfred P. Sloan no Festival de Sundance, que é uma honraria dada a filmes que tratam de ciência e tecnologia de um jeito inteligente.

A trilha sonora ficou por conta do Francis and the Lights. É um som minimalista, meio eletrônico, que combina perfeitamente com aquele clima de subúrbio tecnológico. As filmagens rolaram em Nova York, principalmente em lugares como Rye e Cold Spring, o que dá um ar bem bucólico e isolado para a trama.

Curiosidades que você provavelmente não sabia

Uma coisa que muita gente não percebe é que existe uma pessoa de verdade dentro daquele traje de robô. Não é puro CGI. Quem estava ali era a dançarina Dana Morgan, que precisou de muita disciplina física para fazer movimentos que parecessem mecânicos, mas fluidos o suficiente para não parecerem um brinquedo travado.

Outro detalhe legal é que o design do robô foi inspirado no ASIMO, aquele robozinho famoso da Honda. A ideia era justamente fugir da estética de "exterminador" e criar algo que você realmente aceitaria ter na cozinha da sua casa para te ajudar a lavar a louça ou organizar os livros.

Por que vale a pena assistir hoje?

O filme trata de envelhecimento e solidão de um jeito muito direto, sem apelar para o sentimentalismo barato. É uma narrativa masculina, mais contida, focada na parceria prática entre um homem e uma ferramenta que ele aprende a usar a seu favor.

Não espere grandes reviravoltas de ação. O foco aqui é o diálogo e a lógica por trás da convivência entre o homem e a inteligência artificial. Se você gosta de entender como a tecnologia afeta o comportamento humano, é um prato cheio.



Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias

 

Sabe aquele dia em que a lista de tarefas parece não ter fim e você só queria estar em dois (ou três) lugares ao mesmo tempo? Pois é. Eu estava revendo Eu, Minha Mulher e Minhas Cópias (Multiplicity) e percebi que, mesmo sendo um filme de 1996, a ideia central continua mais atual do que nunca. A diferença é que, na época, a solução do protagonista foi um pouco mais radical do que baixar um app de produtividade.

Vou te contar por que esse filme do Michael Keaton é um clássico que merece sua atenção, sem entregar o jogo ou estragar as surpresas.

Do que se trata a história, afinal?

A trama gira em torno de Doug Kinney, um cara sobrecarregado que tenta equilibrar um emprego estressante na construção civil com a atenção que deve à esposa, Laura (interpretada pela Andie MacDowell), e aos filhos. O sujeito está no limite. É aí que ele conhece um cientista que oferece uma saída inusitada: criar um clone dele.

A lógica é simples: enquanto o clone trabalha, o Doug original aproveita a vida. O problema é que, como todo mundo que tenta pegar um atalho, ele acaba descobrindo que gerenciar uma cópia de si mesmo — e depois outras — é um pesadelo logístico e de identidade. Cada clone acaba manifestando uma faceta diferente da personalidade dele, o que gera situações bizarras, mas sem aquele drama pesado. É uma comédia direta ao ponto.

Direção, elenco e aquela nostalgia dos anos 90

O filme foi lançado em 17 de julho de 1996 e tem a assinatura de Harold Ramis. Se o nome não te soa familiar, ele é o gênio por trás de Feitiço do Tempo e foi um dos Caça-Fantasmas. O cara sabia como filmar comédias com um toque de inteligência sem ser pretensioso.

O Michael Keaton dá um show à parte. Ele interpreta quatro versões do Doug, e você consegue distinguir cada uma delas só pela postura ou pelo jeito de falar. Não é à toa que o filme ainda é lembrado pelo esforço técnico da época para colocar vários "Keatons" na mesma cena sem parecer um efeito de vídeo barato.

Aqui vão alguns dados técnicos pra você se situar:

  • Título Original: Multiplicity

  • Nota IMDb: 6.1/10

  • Premiações: Ganhou o prêmio BMI Film Music Award pela trilha sonora e foi indicado ao Saturn Award na época.

Trilha sonora, locações e os bastidores

A trilha sonora ficou nas mãos de George Fenton, que optou por algo que acompanha bem o ritmo da comédia, sem tentar roubar a cena. Já as filmagens aconteceram basicamente em Los Angeles, na Califórnia. Se você prestar atenção nas cenas de rua e nas casas, vai sentir aquela estética bem específica dos subúrbios americanos de meados da década de 90.

Uma curiosidade interessante é que, para gravar as cenas com os clones, Keaton usava um fone de ouvido escondido para ouvir as falas que ele mesmo tinha gravado antes. Assim, ele conseguia manter o tempo das piadas e das interações. Além disso, o filme usa um conceito de "cópia da cópia" (o clone do clone), que mostra como as coisas podem degringolar quando a gente tenta simplificar demais a vida.

Por que você deveria (re)ver esse filme?

Se você busca uma análise profunda sobre a ética da clonagem, esse não é o seu filme. Mas se quer uma narrativa fluida sobre o caos da vida moderna e como a gente se perde tentando ser produtivo o tempo todo, ele é certeiro. É um filme "homem comum" lidando com problemas extraordinários de um jeito bem prático.

É o tipo de produção que não se faz mais hoje em dia: uma ideia original, um ator principal inspiradíssimo e um roteiro que entrega o que promete sem enrolação. Vale o play, seja pela nostalgia ou pela curiosidade técnica.