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01 fevereiro 2026

A Máscara de Ferro

 

Quando vi os nomes de Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger no mesmo pôster, meu lado fã de filmes de ação dos anos 90 falou mais alto. Foi assim que cheguei a A Máscara de Ferro (2019), uma produção que mistura fantasia russa com artes marciais chinesas. Se você está procurando algo para assistir no fim de semana e quer saber se o investimento de tempo compensa, sem firulas ou papo de crítico de cinema metido a besta, vou te contar o que encontrei.

O que você precisa saber sobre a produção

O filme, cujo título original é Viy 2: Journey to China (ou The Mystery of the Dragon Seal), foi lançado em 2019 e dirigido por Oleg Stepchenko. Ele é, na verdade, uma sequência de um filme de 2014 chamado Viy, baseado em uma obra de Nikolai Gogol.

A trama segue o cartógrafo inglês Jonathan Green (Jason Flemyng) em uma expedição que começa na Rússia e termina na China. O roteiro tenta amarrar lendas chinesas, a figura do Homem da Máscara de Ferro e as disputas imperiais russas. É uma mistura ambiciosa, para dizer o mínimo.

Um elenco de peso (e um encontro histórico)

Não tem como negar: o grande chamariz aqui é o elenco. Ver Jackie Chan e Arnold Schwarzenegger dividindo a tela é o sonho de qualquer um que cresceu assistindo ao Corujão. Além deles, temos:

  • Jason Flemyng como o protagonista Jonathan Green.

  • Helen Yao entregando uma performance sólida.

  • Charles Dance (o eterno Tywin Lannister) e o saudoso Rutger Hauer.

A dinâmica entre Chan e Schwarzenegger acontece principalmente em uma prisão na Torre de Londres. É um combate que foca mais na nostalgia e no carisma dos dois do que em coreografias impossíveis, mas ainda assim, é divertido ver os dois "velhos de guerra" trocando golpes.

Bastidores: locações, trilha e a técnica por trás

Para quem gosta da parte visual, o filme não faz feio. As locações de filmagem passaram pela República Tcheca, China e Rússia, o que dá uma escala épica para os cenários. Você percebe que o dinheiro foi bem gasto na direção de arte e nos figurinos.

A trilha sonora ficou por conta de Alexandra Maghakyan, que segue aquela linha clássica de aventura épica, sem inventar muito a roda, mas cumprindo bem o papel de ditar o ritmo das cenas de ação.

Sobre premiações, o filme não chegou a levar nenhum Oscar ou Globo de Ouro (o que já era esperado), mas teve indicações técnicas em premiações regionais da Rússia e da Ásia, focadas principalmente nos efeitos visuais e design de produção.

Curiosidades e a nota no IMDb

Antes de dar o play, é bom alinhar as expectativas. No IMDb, a nota do filme costuma flutuar na casa dos 4.7/10. É uma média baixa, eu sei, mas isso se deve muito ao roteiro que, às vezes, tenta abraçar o mundo e acaba ficando um pouco confuso.

Aqui vão algumas curiosidades que pesquisei:

  1. Encontro inédito: Apesar de serem amigos há décadas, esta foi a primeira vez que Jackie Chan e Schwarzenegger realmente lutaram um contra o outro no cinema.

  2. Produção bilionária: Foi uma das produções mais caras do cinema russo, com um orçamento que ultrapassou os 45 milhões de dólares.

  3. Conexão histórica: O filme usa a lenda do "Pedro, o Grande" impostor, uma teoria da conspiração real da história russa.

No fim das contas, A Máscara de Ferro é aquele típico filme de "sessão da tarde" com orçamento de blockbuster. Se você desligar o senso crítico por duas horas e quiser apenas ver dois ícones do cinema em um cenário de fantasia visualmente rico, vale a espiada. Só não espere uma obra de arte profunda.



Um Santo Vizinho

 

Olha, se você está procurando um filme que não tenta te ganhar com clichês melosos ou lições de moral baratas, St. Vincent (ou Um Santo Vizinho, aqui no Brasil) é a pedida certa. Eu assisti sem esperar muito e acabei encontrando uma história que entrega exatamente o que promete: a vida real, com toda a sua crueza e alguns momentos de humor bem ácido.

O filme foi lançado em 2014 e, desde o primeiro minuto, você percebe que o tom é diferente. Não é aquela comédia para dar gargalhada o tempo todo, mas sim um retrato de um cara que a maioria das pessoas evitaria na rua.

Por que St. Vincent vale o seu tempo

A história gira em torno de Vincent, um veterano de guerra que vive em uma casa caindo aos pedaços no Brooklyn. Ele bebe demais, aposta em cavalos e não tem a menor paciência para interações sociais. Tudo muda quando uma nova vizinha, Maggie, se muda para a casa ao lado com o filho, Oliver. Como ela trabalha muito, Vincent acaba virando a babá mais improvável do mundo para o garoto.

O que eu acho interessante aqui é que o roteiro não tenta transformar o Vincent em um herói da noite para o dia. Ele continua sendo um cara difícil, mas a relação que ele desenvolve com o moleque é autêntica. Ele ensina o menino a se defender e o leva para o hipódromo. É politicamente incorreto na medida certa.

Quem está por trás das câmeras e no elenco

O diretor é o Theodore Melfi, que faz um trabalho limpo, sem firulas. Mas o que segura o filme mesmo é o elenco de peso:

  • Bill Murray: Ele nasceu para fazer esse papel. O cinismo dele aqui é perfeito.

  • Melissa McCarthy: Surpreendente no papel da mãe cansada. Ela sai um pouco daquela comédia exagerada e entrega uma atuação bem sólida.

  • Naomi Watts: Ela faz uma profissional do sexo russa e grávida. É uma personagem bem fora da curva para ela.

  • Jaeden Martell: O garoto manda muito bem e consegue bater de frente com o Bill Murray sem ser ofuscado.

No IMDb, o filme mantém uma nota respeitável de 7.2, o que faz total sentido. É um filme que agrada tanto quem gosta de cinema independente quanto quem só quer uma boa história para passar o tempo.

Trilha sonora e o visual do Brooklyn

A ambientação é um ponto forte. O filme foi rodado em Sheepshead Bay, no Brooklyn, e você sente o clima do bairro em cada cena. Não é a Nova York dos cartões-postais, é a parte que parece mais "vivida".

Sobre a trilha sonora, ela é essencial para o clima do filme. Tem músicas de artistas como Bob Dylan (o encerramento com "Shelter from the Storm" é icônico), The National e Tweedy. O som acompanha bem o ritmo meio ranzinza, mas charmoso, da narrativa.

Curiosidades e o reconhecimento da crítica

Uma das coisas mais legais sobre os bastidores é que o diretor Theodore Melfi teve um trabalhão para conseguir o Bill Murray. O ator não tem agente nem empresário, ele tem um número 1-800 onde as pessoas deixam mensagens. Melfi deixou várias até que, um dia, Murray ligou de volta e eles fecharam o projeto.

Em termos de premiações, o filme não passou em branco. Foi indicado ao Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme (Comédia ou Musical) e Melhor Ator para Bill Murray. Ele não levou os troféus, mas o reconhecimento serviu para mostrar que era mais do que apenas um "filme de sessão da tarde".

No fim das contas, St. Vincent é sobre enxergar valor onde ninguém mais vê. Se você gosta de uma narrativa direta, com personagens imperfeitos e uma pegada mais pé no chão, vale muito a pena conferir.