Se você curte um bom suspense policial, daqueles nórdicos que te deixam com um clima gelado na espinha, Departamento Q: Uma Conspiração de Fé precisa estar na sua lista. Eu assisti recentemente e vou te contar por que esse filme, o terceiro da franquia baseada nos livros de Jussi Adler-Olsen, é talvez o mais pesado e bem amarrado de todos.
O que esperar de Uma Conspiração de Fé
O título original é Flaskepost fra P, que em uma tradução livre seria algo como "Mensagem em uma garrafa de P". O filme, lançado em 2016, mantém aquela pegada crua dos anteriores. O diretor Hans Petter Moland assumiu o leme aqui e trouxe uma estética muito polida, mas sem perder a sujeira moral que a série exige.
A história começa com uma mensagem antiga, escrita com sangue, encontrada dentro de uma garrafa que passou anos no mar. O detetive Carl Mørck e seu parceiro Assad acabam mergulhando em uma investigação que envolve comunidades religiosas fechadas e um sequestrador que atua há décadas sem ser notado.
O elenco e a química que carrega o filme
O que realmente segura o Departamento Q não são só os crimes mirabolantes, mas a dinâmica entre os dois protagonistas.
Nikolaj Lie Kaas (Carl Mørck): Ele entrega aquele detetive amargo, niilista e cansado do mundo.
Fares Fares (Assad): É o contraponto perfeito, trazendo um pouco mais de humanidade e paciência para a dupla.
No lado dos vilões, temos Pål Sverre Hagen, que faz um trabalho assustador. Ele consegue ser carismático e repulsivo ao mesmo tempo. No IMDb, o filme ostenta uma nota sólida de 7.0, o que é bem alto para o gênero, considerando como o público de suspense costuma ser exigente.
Bastidores, trilha e as locações dinamarquesas
A trilha sonora, composta por Nicklas Schmidt, é econômica. Ela não tenta te dizer o que sentir com orquestras barulhentas; ela apenas cria uma tensão constante que parece um zumbido no fundo do ouvido.
Sobre as locações, o filme foi rodado na Dinamarca e na Alemanha (especificamente em Hamburgo e Schleswig-Holstein). Aquelas paisagens planas, com campos abertos e céu cinzento, ajudam a vender a ideia de isolamento que o roteiro pede.
Premiações e reconhecimento
O filme não passou batido nas premiações europeias. Ele venceu o Danish Film Awards (Robert) na categoria de Melhor Roteiro Adaptado e foi indicado a várias outras categorias, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator. É o tipo de produção que o mercado local respeita muito, e com razão.
Curiosidades que você talvez não saiba
Para quem gosta de ir além da tela, separei alguns pontos interessantes sobre a produção:
Mudança de direção: Este foi o primeiro filme da série que não foi dirigido por Mikkel Nørgaard. A troca por Hans Petter Moland deu um ar mais "cinematográfico" e menos televisivo à obra.
Fidelidade: Embora mude alguns detalhes, os fãs dos livros costumam considerar este um dos episódios mais fiéis ao clima sombrio das páginas de Adler-Olsen.
Sucesso de bilheteria: Na época do lançamento, ele quebrou recordes na Dinamarca, tornando-se uma das maiores aberturas da história do país.
Se você gosta de thrillers que questionam a fé, o fanatismo e a resiliência humana, sem precisar de explosões a cada cinco minutos, esse filme é um prato cheio. É seco, direto e muito inteligente.
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