Sempre tive uma queda por cinebiografias que tentam abraçar o mundo, e quando soube que Ridley Scott voltaria aos épicos históricos com Napoleão (Napoleon), a expectativa foi lá no alto. Afinal, estamos falando do cara que nos deu Gladiador. Assisti ao filme focado nos detalhes técnicos e na grandiosidade das batalhas, e o resultado é uma obra que divide opiniões, mas que certamente não passa batida.
Lançado em 2023, o longa carrega uma responsabilidade enorme: resumir a vida de um dos maiores estrategistas militares da história. Com uma nota 6.4 no IMDb, fica claro que o público teve uma relação de "amor e ódio" com a produção.
Quem foi o diretor e qual o elenco de peso?
A direção ficou nas mãos do veterano Ridley Scott, que não economizou na escala do projeto. Para dar vida ao imperador francês, ele escalou Joaquin Phoenix, entregando um Napoleão que oscila entre a genialidade tática no campo de batalha e uma vulnerabilidade quase infantil em sua vida privada.
Ao lado dele, Vanessa Kirby brilha como Josefina. A química entre os dois é o que move a trama, mostrando que, por trás de cada conquista territorial, havia uma guerra psicológica e emocional dentro de casa. O elenco ainda conta com nomes como Tahar Rahim e Rupert Everett, mantendo o nível de atuação bem elevado.
Onde o filme foi gravado e como é o visual?
Se tem uma coisa que o Ridley Scott sabe fazer é escolher locações que dispensam o excesso de computação gráfica. As filmagens de Napoleão passaram por lugares incríveis na Inglaterra (como o Palácio de Blenheim) e na Ilha de Malta, que serviu de cenário para as sequências de ação naval e urbana.
Visualmente, o filme é um espetáculo. A fotografia utiliza muita luz natural e tons frios, o que ajuda a passar aquela sensação de realismo das campanhas militares na Europa. Você sente o frio da Rússia e a poeira das batalhas apenas pelas escolhas de cores.
Quais são as principais curiosidades dos bastidores?
Uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a velocidade da produção. Scott filmou esse épico em apenas 62 dias, um tempo recorde para um filme dessa magnitude. Para conseguir isso, ele usava até 11 câmeras simultaneamente em algumas cenas de batalha.
Outro ponto que gerou muita conversa foi a precisão histórica. Historiadores franceses criticaram bastante algumas "liberdades criativas" do diretor (como Napoleão atirando nas Pirâmides do Egito), mas Scott, com seu estilo direto, basicamente mandou um "se vira" para os críticos, focando mais no entretenimento e no impacto visual do que em um documentário rigoroso.
Qual a minha crítica sobre a obra de Ridley Scott?
Na minha visão, Napoleão funciona muito bem como um filme de guerra, mas tropeça um pouco no ritmo ao tentar cobrir décadas de história em poucas horas. As sequências de batalha, especialmente a de Austerlitz, são lições de cinema. É cinema bruto, bem filmado e imersivo.
Por outro lado, o foco excessivo no relacionamento conturbado com Josefina pode cansar quem esperava apenas um filme de estratégia militar. É uma abordagem mais "pé no chão", mostrando o homem por trás do mito, com todas as suas inseguranças. Não é um filme perfeito, mas para quem gosta de história e grandes produções, é obrigatório.